A expressão Internet das Coisas ou em inglês Internet of Things (IoT) é muito utilizada hoje, mas o que é isso? Onde surgiu?Já acontece? Aonde? Na verdade já acontece e de forma simples e também muito complexa. No Brasil e ao redor do mundo! Vamos viajar por esse admirável mundo novo da IoT!

A autoria do termo “Internet das Coisas” é atribuída a Kevin Ashton, pesquisador britânico do Massachusetts Institute of Technology (MIT), quando utilizou o termo como título de uma apresentação para uma empresa sobre as vantagens logísticas de etiquetar eletronicamente os produtos.

Uma definição ampla, simples e de fácil assimilação da IoT é quando as coisas “se conectam” entre si, sem a interferência de humanos nessa comunicação.

Essa comunicação ocorre utilizando identificadores de radiofrequência (RFID, em inglês), um tipo de “chip”. Um pequeno circuito integrado feito de materiais semi condutores, o silício é um deles. Quem utiliza um smartphone (celular) utiliza um chip da operadora de telefonia.

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Este cinto possui um chip que pode enviar dados do usuário para o smartphone, médico, seguradora.

Uma utilização comum e que ilustra a IoT são os carros que tem um “chip” instalado que lhe permitem o acesso a determinado local. Quando o carro se aproxima do local, que tem um tipo de portão (pórtico ou cancela), os “chips” se comunicam e verificam as informações e o acesso é feito mediante a autorização eletrônica, sem comunicação humana. Essa operação rotineira fica armazenada e disponível para verificação de quais veículos acessaram o local, etc.

Em Portugal, há um sistema chamado Via Verde, desde 1991, que hoje é muito comum, que é utilização nos veículos de um chip ou módulo (colado no pará-brisas) de acesso rápido aos pedágios nas rodovias (portagens em autoestradas), o veículo passa em os chips se comunicam e pronto a cobrança da tarifa será direcionada ao proprietário e/ou utilizador do veículo.

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A IoT vai além da elementar comunicação direta entre um chip e outro chip. Está presente também em um complexo sistema interno de um veículo autônomo (sem condutor) que trafega por ruas de cidades sem a interferência de humanos. São inúmeros dispositivos em constante comunicação para essa operação complexa ter sucesso.

IoT: Elementar e Complexo

São conceitos muito relativos no campo na tecnologia da informação e no espaço do tempo. No campo da IoT o que era complexo em 1999 hoje é elementar. E o que é complexo hoje quando será elementar?

Primeiro é importante falarmos da internet e os seus protocolos. Todo o dispositivo conectado a internet tem um número próprio e único denominado IP (Internet Protocol) ou endereço de protocolo na internet, uma identificação única. O IPv4, a quarta versão do IP foi lançada em 1981 e disponibilizava a quantidade total de 4,3 bilhões de endereços únicos na internet.

Com a proximidade do esgotamento dos endereços únicos devido ao crescimento do número de dispositivos conectados ao longo dos anos 1990 foi sendo construída e entrou em operação oficialmente em junho de 2012 o IPv6 ou IPng (Internt Protocol next generation – Protocolo de Internet da Próxima geração). A transição do IPv4 para o IPv6 está em andamento, essa nova geração de IP tem uma capacidade muito mais alargada de endereços 340 quintiliões de números de endereços disponíveis, uma quantidade suficiente para atender os próximos anos.

O ano de 2018 fechou com 17,8 bilhões de dispositivos conectados, dos quais 7 bilhões são de IoT (https://iot-analytics.com). E segundo a revista reportagem da Revista FORBES (https://www.forbes.com) o mercado global de IoT em 2018 cresceu 37% atingindo o valor de USD 151 bilhões de dólares americanos.

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É claro que a tendência do mercado da IoT é de forte crescimento, o que vai ampliar o número de dispositivos, de usuário e do faturamento do setor. Além dos impactos diretos em eficiências, redução de tempo perdido, diminuição e/ou adequação de trabalhadores. Cenários decisivamente complexos e que requerem atenção e estudo dos desafios legais e sociais.

IoT no Brasil

Em novembro de 2017 o governo brasileiro, através do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e do Ministério da Ciência e Tecnologia, apresentou “Plano Nacional da Internet das Coisas”. O qual foi desenvolvido por um consórcio de entidades e com a contribuição: de mais 70 instituições, de mais 2.200 sugestões em consultas públicas e envolveu os setores público, privado e academia.

O material produzido indicou que a IoT no Brasil tem grandes possibilidades aumentar a competitividade econômica, fortalecer as cadeias produtivas locais e promover a melhoria de vida.

Para atingir isso definiu quatro áreas prioritárias para a implementação da IoT no Brasil:

1. Cidades
Melhorar a qualidade de vida nos centros urbanos transformando em cidades inteligentes ou smartcities, onde a IoT tem a capacidade de melhorar a mobilidade urbana, segurança pública e a gestão mais eficiente de serviços públicos de água, energia e saneamento.
Além de possibilitar um desenvolvimento local das inovações artesanais, aquelas adaptadas a realidade do dia-a-dia da localidade, considerando suas individualidades de clima, hábitos e de cultura.

2. Indústrias
Melhorar a produtividade da indústria nacional através da aplicação da IoT na gestão de recursos, processo e estoque e cadeia de fornecimento. Além de desenvolvimento de novos equipamentos e inovações.

3. Rural
Aumentar a produtividade com o uso eficiente de recursos naturais, insumos e maquinário. Além de aumentar as informações para segurança sanitária e inovação de soluções para cada cadeia produtiva das diversas atividades rurais.

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4. Saúde
Buscar soluções priorizadas para ampliar o acesso à saúde de qualidade com foco em promoção e prevenção de surgimentos de epidemias, na efetividade do tratamento de doenças crônicas e na eficiência da gestão das unidades de saúde com inovação no uso da IoT combinando com uma visão mais integrada do paciente.

Ausência de privacidade

A utilização de dispositivos conectados nos diminui a privacidade. Como já foi falado em outro texto: não há privacidade no internet. E na internet das coisas IoT menos ainda.

Há uma transparência ímpar no compartilhamento de dados, sejam eles voluntários ou involuntários. Vários fornecedores já fazem campanhas on-line em que pedem o preenchimento de formulário eletrônico, no qual ao final coloca-se uma opção do usuário compartilhar os dados ou não.
Porém, o compartilhamento mais usual é o feito pelo próprio usuário que alimenta suas redes sociais com postagens, fotos, videos e textos expondo sua privacidade e em alguns casos fatos e notícias falsas.

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As violações de segurança no mundo digital e o roubo de identidade para fins comerciais são algumas das preocupações que as pessoas e autoridades tem que ter imediatamente.

O DESAFIO É A TRANSIÇÃO

Como todas as mudanças que a vida em sociedade impõe o uso cada vez maior da IoT em nossas vidas deve ser bastante discutido e transparente. hoje todos nós dispomos de acesso as informações a grande questão é quais as informações que priorizamos nessa universo de informações que surgem toda hora.

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Por exemplo o assunto dos veículos autônomos é muito debatido atualmente e com profundas resistências, dados aos recentes acidentes envolvendo esse tipo de sistemas. Porém, toda evolução passa por acidentes e adequações.

Devemos ter foco na importância da necessidade de regulações governamentais inteligentes e eficazes as realidades e modernidades que a IoT nos impõe.

Não será a primeira vez que teremos a adequação de profissões (lembrem dos funcionários que acendiam as luminárias de iluminação pública antes da eletricidade), mudanças nos modelo de negócios (olhe a transformação do comércio eletrônico), na prestação de serviço (os aplicativos da área de finanças) e a forma de produzir energia (os porsumidores de energia elétrica que produzem que consomem).

Nesse cenário da necessidade de tratarmos de novos cenários que a IoT está proporcionando é atual a reflexão de Jeremy Rifkin, no seu livro Sociedade com Custo Marginal Zero:

“No século XIX a Revolução Industrial criou novas condições e problemas com os quais nenhum dos modelos sociais, econômicos e políticos existentes era capaz de lidar.”

Sobre o colunista:

 

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Raphael Vale é advogado. Idealizador, co-fundador e primeiro presidente da Cooperativa Brasileira de Energia Renovável e Desenvolvimento Sustentável – COOBER. Realiza palestras entorno do mundo sobre energia renovável e distribuída e também sobre as relações jurídicas e as alterações climáticas. Atualmente, vive em Portugal, onde cursa o mestrado em Direito e Ciências Jurídicas: especialidade em Direito e economia, na Universidade de Lisboa.

 

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