Num duelo à distância, os maiores expoentes dos dois partidos — o atual presidente, Donald Trump, e seu antecessor, Barack Obama, protagonizaram ataques em teses antagônicas durante o fim de semana: o primeiro para manter a salvo a maioria republicana no Congresso; o segundo para defender seu legado.

É este o retrato do país que emergirá das urnas numa campanha violenta e dominada basicamente pelo medo — de imigrantes invasores, de cartas-bomba, de supremacistas, do socialismo, da Venezuela. Um polo atraído pelo presidente Donald Trump e outro que o rejeita.

Ao viajar por 23 estados americanos nos últimos três meses, o colunista David Brooks, do “New York Times”, constatou que não estava cobrindo uma campanha para eleições de meio de mandato, mas dois eleitorados completamente distintos. “A política não é mais sobre discordar de questões. É sobre estar em conversas totalmente separadas”, observou.

Nesta atmosfera polarizada e raivosa, consolidada ao longo dos últimos dois anos, o outro lado é visto como inimigo e até criminoso. Há pouco espaço para indecisos e para o debate.

Trump atuou como um pugilista verborrágico, pregando teses descabidas à sua base conservadora. No desfecho da campanha, sem apresentar evidências, levantou a possibilidade de fraude nas urnas, antecipando para o day after eleitoral o mesmo clima de confronto de 2016, quando, apesar de eleito, questionou a margem de votos obtidos.

Na madrugada desta quarta-feira, saberemos qual foi o impacto desta retórica incandescente do presidente sobre os eleitores. Cada partido já se prepara para valorizar os ganhos e minimizar o tamanho da derrota, caso as previsões de pesquisas realmente concretizem uma nova configuração para o Congresso americano: a Câmara, de maioria democrata, e o Senado controlado por republicanos.

Por Sandra Cohen, G1

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