Em virtude da tragédia ocorrida na cidade de Brumadinho-MG, que contabilizou até agora 150 mortes e deixou sob alerta as famílias de diversas cidades onde há atividades de barragens, a Hydro resolveu convidar autoridades, familiares de seus funcionários e outros membros da sociedade para conhecerem suas instalações. O intuito é de tranquilizar quanto à segurança das barragens da Mineração Paragominas, considerada a quarta maior do país e classificada como de baixo risco e alto dano potencial. Muitos moradores estão receosos e temem que o episódio ocorrido na cidade mineira se repita também aqui.

Ontem foi a vez dos vereadores visitarem a empresa. Também fizeram parte da comitiva, secretários municipais, a vice-prefeita, entre outros convidados. O roteiro incluiu uma explanação do sistema de barragens pelo corpo técnico da empresa, além da visita in loco às barragens do Vale e Platô e da área de reflorestamento. Na oportunidade, o presidente da Câmara solicitou à empresa as documentações inerentes à licença, segurança da barragem e plano de recuperação de áreas degradadas, o que foi prontamente atendido.

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Presidente da Câmara solicita documentação à Hydro

A Agência Nacional de Mineração- ANM é o órgão responsável pela fiscalização e licenciamento das atividades. A Hydro possui um setor específico para fiscalização das barragens que tem a obrigação de informar diariamente e em tempo real, o estado das mesmas à ANM. Thiago Doelliger é o gerente dessa área e foi ele quem repassou a maioria das informações.

As barragens de Paragominas e de Brumadinho possuem diferenças significativas. A primeira delas é a tecnologia empregada na construção. Enquanto a barragem da Vale foi criada em 1976, as barragens da Mineração Paragominas são de 2007. Por ser mais baixa (31m) e mais extensa, a pressão do rejeito é melhor distribuído ficando mais concentrada na sua base, diminuindo a pressão sobre os barramentos.

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Além disso, as próprias características do rejeito são bastante distintas. O rejeito de Brumadinho é formado de grãos de ferro, um material de grande porosidade, sendo assim, ele absorve muita água. Já no caso da bauxita, matéria-prima da alumina que é produzida pela Hydro, a porosidade é mínima, portanto, a sua liquefação é quase impossível, o que torna o processo de secagem muito rápido: cerca de 45 dias nos períodos mais secos do ano e entorno de 60 dias nos períodos chuvosos. Dessa maneira, é possível até mesmo caminhar com segurança sobre o rejeito, que é muito sólido. Há sensores que avaliam o movimento no fundo das barragens e que atestam se há ali formação de água, o que segundo o mesmo, não acontece.

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Corpo técnico da empresa fala aos visitantes

Thiago informou ainda que o sistema de monitoramento das barragens possui níveis de segurança, são eles: nível de alerta, de atenção e de emergência. E até hoje, os sistemas de monitoramento não apontaram nenhum desses níveis. Os reservatórios de água também trabalham abaixo de sua capacidade. Inclusive, não sofreram impactos com as maiores precipitações que atingiram o munícipio nos últimos meses.

A preocupação dos presentes com as comunidades mais próximas e o que poderia acontecer com elas caso houvesse um rompimento era unânime. O técnico afirmou que se acaso isso ocorresse, o material se concentraria na propria área da Hydro. A comunidade mais próxima é a Oriente, a 20km, mas não seria afetada, pois está no contrafluxo do rio. Outra comunidade, a Potiritá, está a 32km, e, na pior das hipóteses, o material levaria 12 horas para atingir a comunidade, mas haveria tempo suficiente para uma evacuação.

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Visitantes caminham sobre a barragem de rejeitos

Outra área de visitação foi a trilha ecológica. Trata-se de uma área reflorestada sobre uma das primeiras barragens implantadas pela empresa. A área existe há 10 anos e foram utilizadas as espécies originárias da região, levantadas através de inventário.

Há alguns pontos que momentaneamente ainda aguardam uma resposta. Um deles é quanto a um vídeo publicado em um canal de TV e compartilhado nas redes sociais que aborda que “autoridades ambientais recomendaram a suspensão de atividades de uma represa de dejetos de bauxita de Paragominas”. Os técnicos disseram que não receberam nenhuma notificação sobre isso, mas que iam averiguar e entrariam em contato para dirimir as dúvidas. Assegurou ainda que todos os laudos e documentos da empresa estão à disposição do público e que a transparência é primordial na empresa.

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Print do vídeo que circula no Whatsapp

Outro ponto foi quanto à quantidade de alumínio na água que é devolvida à natureza. O alumínio é um micronutrientes que em alta quantidade pode afetar o desenvolvimento de plantas nos rios, o que impossibilitaria a vida de outras espécies. O técnico afirmou que a água também é avaliada e a quantidade desse mineral está dentro das normas estabelecidas pelos órgãos fiscalizadores.

Por Jorginho Quadros

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