No último sábado (22), o Campeonato Brasileiro da Série C DE 2018 chegou ao fim, com o título inédito para o Operário-PR, que venceu por 1 a 0 o Cuiabá, fora de casa. O encerramento de competição deixa marcadas algumas lições e aprendizados para o Clube do Remo, que fez parte do certame nesse ano. De tudo o que aconteceu, uma coisa ficou clara: o modelo ineficaz de gerência do futebol azulino.

Com muitos planos, mas poucas realizações, a gestão azulina dentro de campo passou em branco na sua abrangência. Grande parte do insucesso é derivada de uma fórmula que há anos foi confirmada ser falha, que é a do imediatismo ao invés do qualitativo. Mesmo com o plano interessante referente ao acesso e de conquistas a nível estadual/regional, a administração remista não se orquestrou para tais feitos.

Desde que subiu de patamar e retornou à Série C Nacional, o modelo de gestão do Remo foi praticamente o mesmo: contratações desastrosas; dança nas cadeiras da comissão técnica; desvalorização da marca (embora o setor comercial tenha resgatado parcerias); capital fechado e falta de conquistas expressivas.

Em comparativo com o atual campeão da Terceirona, o Operário-PR, o Leão basicamente caminhou na contramão, especialmente quando os assuntos são ligados aos bastidores. Só para se ter ideia, o acesso do Remo, em 2015, foi justamente em cima dos alvinegros, mas que, em análise após o embate das duas equipes pela Série D daquele ano, o adversário prosperou muito mais que os azulinos, dentro e fora do gramado. E as conquistas do Fantasma passaram a acontecer mediante a mudança de conduta interna.

DIFERENÇAS

Com propostas atraentes e, ao que parece, viáveis, os presidenciáveis ao pleito remista têm buscado ideias para modernizar o futuro do Remo. Todavia, a base de gestão continua a mesma, ou seja, com o foco centrado no futebol, ao invés da marca azulina. Um dos pilares que ajudou o Operário-PR a ter uma ascensão foi justamente a visão de clube-empresa.

Para o presidente azulino Manoel Ribeiro, que ainda decide se tenta a reeleição, o Remo atual será um ponto de partida para uma mudança positiva. “Sempre buscamos mais, queremos mais. Só que as coisas precisam do seu tempo, não só do nosso desejo. Nós tivemos alguns ganhos importantíssimos internamente. A semente foi depositada e temos certeza que irá dar bons frutos para o nosso clube”, defende.

REMO x OPERÁRIO 

As duas equipes se enfrentaram em 2015, pelas quartas de final da Série D, em duelos que garantiam ao vencedor o acesso à Série C. O Remo passou pelo rival e retornou à Terceirona. No entanto, os azulinos pecaram com campanhas pífias que, por pouco, não culminaram com o rebaixamento, diferentemente do rival, que se reestruturou e foi campeão da Série D 2017 e da C nesse ano. Confira os principais pontos de diferença administrativa entre os clubes.

Plantel – Enquanto o Remo contratou quase 200 jogadores de 2015 para cá, com uma média de aproveitamento irrisória, o que gerou ano após ano poucas renovações e a remontagem de um grupo quase que do zero, o Operário manteve sua base com cerca de 30% dos profissionais. Um total de 16 jogadores do atual elenco do Fantasma está há três anos no elenco.

Comissão técnica – O Remo contou com 11 treinadores de 2015 até esse ano. Somente em 2018, quatro profissionais assumiram o apito à beira dos gramados. A falta de critério para a escolha de um técnico influenciou bastante nas campanhas pífias do time. O Operário, por sua vez, desde a eliminação para o Remo, trocou somente quatro vezes de treinador, entre o final de 2015 e o inicio de 2016, já que mantem Gerson Gusmão no comando desde março de 2016 até hoje. Com Gusmão, o time faturou o bicampeonato nacional em 2017 (Série D) e 2018 (Série C).

Clube-empresa – As façanhas do Fantasma, no entanto, só passaram a surtir efeito após a sua mudança interna. A agremiação passou a ser gerida em formato de empresa por um grupo de empresários que investiram fortemente na equipe, para ajudar no pagamento de folhas e em investimentos na marca. O mesmo não ocorreu no Remo, que ainda segue com um modelo de gestão ultrapassado e com poucas iniciativas para mudar.

(Matheus MIranda/Diário do Pará)

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