Com viagem marcada para a próxima segunda-feira (5), o clube All Star Rodas representará o Pará no Campeonato Brasileiro Feminino de Basquete em Cadeiras de Rodas, que começa na terça-feira (6), em São Paulo. O time paraense tenta recuperar o título que perdeu ano passado, depois de 16 anos de conquistas ininterruptas. A busca pelo heptadecacampeonato se dá após a perda para um time formado especialmente para bater o All Star.

“Ano passado foi montado um time em São Paulo, o Gadim. Era quase uma seleção brasileira, inclusive com algumas atletas daqui. Na final elas nos venceram por sete pontos e foram campeãs nacionais, mas logo em seguida o time foi desfeito. Somente o All Star está desde o primeiro campeonato nacional”, conta Wilson Caju, treinador do time e coordenador do projeto All Star.

A tradição do projeto no Pará atrai muitas pessoas em busca da prática esportiva. Atualmente, tanto o masculino quanto o feminino possuem duas equipes que disputam o Brasileiro. Em outubro, dois times masculinos estiveram no campeonato da Segunda Divisão e, por pouco, um deles não chegou ao acesso, terminando na quarta colocação.

Como há muito mais times masculinos, o Brasileirão tem até quatro divisões. Já o número de praticantes entre as mulheres é sensivelmente menor, daí ter apenas uma divisão. Os sete times que jogarão no Centro Paralímpico Brasileiro são: Adesul/Addece (CE), Adapp (PR), Irefes (ES), Adefirv (GO), Aabane (BA), All Star Rodas Pará e All Star Rodas Belém.

“O time principal é o Pará. O Belém é formado por atletas que acabaram de chegar ou então por veteranas que não tem mais o mesmo tempo para treinar, mas ainda praticam o esporte”, explica Caju.

Para conseguir ir ao campeonato, o time teve um trabalho extra durante a preparação. Doze cadeiras estavam avariadas e precisavam de reparos. Nem todas ficaram prontas, mas o suficiente para as equipes. O clube fez ações em universidades e empresas para os consertos dos equipamentos.

DE UM ACIDENTE À SUPERAÇÃO

A adaptação do basquete para o jogo em cadeira de rodas se deu após a Segunda Guerra Mundial, com ex-soldados americanos feridos durante o confronto. A modalidade fez sua estreia nos primeiros Jogos Paralímpicos, em 1960 em Roma. O esporte é disputado por pessoas com alguma deficiência físico-motora nos membros inferiores, não necessariamente cadeirantes.

É o caso de Vileide Brito de Almeida, de 26 anos, que desde 2008 defende a seleção brasileira, tendo participado de três Paralimpíadas, dois Parapan e dois Campeonatos Mundias. Considerada uma das melhores jogadoras do Brasil há tempos, a ala armadora Vivi (como é conhecida) começou no esporte em cadeiras de rodas aos 15 anos, após o convite de um amigo. Com uma deficiência na perna esquerda, ela não precisa de cadeiras de rodas no dia a dia, somente em situações específicas.

O caso de Vivi é sui generis. Sua deficiência foi ocasionada por uma picada de cobra quando era criança e a infeliz demora no atendimento correto. “Eu tinha 11 anos e na época morava com minha vó no interior, em Curuçá.

Ela trabalhava na zona rural e sempre me levava pra não ficar só em casa. Nesse dia estava brincando com meu irmão na roça, aí ficava ouvindo uns barulhos estranhos que pensava que fosse de um pássaro. Não cheguei a ver a cobra, só senti um coisa que começou a doer muito em minha perna, daí já não lembro de muito coisa”, conta. “Minha perna doía muito. A minha situação de saúde se agravou mais ainda porque no interior eles acreditam muito em curador, remédios caseiros e só fui para o hospital depois de uma semana”.

(Tylon Maués/Diário do Pará)

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