Parlamentares da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa do Pará (Alepa), que apura denúncias de contaminação de rios na região de Barcarena provocada pelo vazamento de resíduos tóxicos de efluentes da mineradora Hydro Alunorte em fevereiro deste ano, ouviram, ontem, depoimento do diretor industrial da Alunorte, Robson Holanda. De acordo  com o deputado Celso Sabino, que integra a CPI, o diretor da empresa reafirmou informações que os parlamentares já tinham obtido da própria empresa e de terceiros, como institutos de análises químicas, de que foi utilizado um canal velho da empresa, sem autorização para uso.

“Está bem caracterizado que esse canal é utilizado quando a empresa não dá conta de drenar toda a água que banha os seus rejeitos, seus efluentes. Isto nos preocupa muito; mas nós estamos caminhando”, afirmou o deputado Celso Sabino. Ele relatou que foi falado na CPI que o canal velho foi utilizado mais de uma vez para escoamento de água. “Isso nos preocupa, porque o que é lançado através do canal velho não sofre nenhum tipo de tratamento”. O deputado Celso Sabino ressaltou que, com base no que foi apurado pela CPI, o uso do canal velho resultou da decisão colegiada de quatro diretores da empresa, inclusive, de Robson Holanda.

O Sindicato dos Trabalhadores Químicos de Barcarena, representado por Manoel Paiva, solicitou à CPI que fosse ouvido, argumentando que possuía informações para repassar aos parlamentares. O representante da entidade relatou outros vazamentos que ocorreram na região, e conferiu fotos obtidas pela CPI sobre o caso.

Segundo o diretor industrial da Alunorte, a CPI serve para deixar claro que não houve transbordo e contaminação de rejeitos da fábrica da Hydro. Destacou que a empresa entende ser necessário trazer robustez e segurança ao seu processo industrial. O diretor ressaltou que no dia 16 de fevereiro, data apontada como do vazamento de rejeitos da fábrica em Barcarena, ocorreu uma chuva excepcional, com uma incidência em 12 horas o equivalente a um mês inteiro. E as instalações da empresa funcoinaram normalmente.

“Nós tivemos, sim, que fazer uso de lançamento de água de chuva em um canal reserva, e foi explicado qual o motivo e de que forma que isso foi feito, de forma controlada. E foi evidenciado também que não houve qualquer contaminação, por toda as medições e análises que temos. E que imediatamente nós informamos isso para a Semas (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade); acho que esse é o ponto mais importante”, afirmou Robson Holanda

Multa

Ele disse que a empresa recebeu um auto de infração em virtude dessa situação. A empresa acredita que sua produção nominal será retomada em 100% — por decisão judicial, está suspensa em 50%.

Manoel Paiva, do Sindicato dos Trabalhadores Químicos de Barcarena, afirmou que a suspensão da produção da Hydro em 50% gera demissões de empregados. Segundo ele, são 120 trabalhadores em Paragominas com quebra de contrato; a Albras anuncia férias coletivas ou demissão de aposentados. O sindicato obteve liminar na Justiça para garantir emprego de trabalhadores na Hydro em Barcarena, mas a sentença sobre o assunto está marcada para 25 outubro. A entidade quer que os fatos sobre os danos ambientais em Barcarena sejam esclarecidos.

Parlamentares viajarão, amanhã, para Santarém, e, no dia seguinte, para Oriximiná, também no Oeste do Estado, na sequência do levantamento de informações sobre o processo de produção de alumina. Os deputados já estiveram em Paragominas, no Sudeste Paraense, onde é extraída a bauxita usada como matéria-prima da Hydro. Agora, em Oriximiná, verificarão como se dá todo o processamento do mineral.

Por: Orm

Foto:   Igor Brandão

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here