O número pode ser bem maior, pois esses são apenas os casos registrados pela Polícia Civil, segundo a Segup. 

De janeiro a novembro deste ano, o Pará registrou 184.894 ocorrências de roubos e furtos, segundo dados informados pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup).

Considerando que até o dia 30 de novembro o ano teve 334 dias, temos 553 pessoas vítimas de um desses dois crimes por dia. Ou 23 pessoas assaltadas ou furtadas a cada uma hora. Contudo, o levantamento considera somente os casos registrados pela Polícia Civil.

Com isso, o número de casos desses dois tipos de delitos é certamente superior, levando em consideração os que ocorrem no dia a dia e não entram para as estatísticas por não serem registrados pelas vítimas.

Em algumas áreas apontadas como de risco não é difícil observar os comércios adotarem medidas preventivas, como ocorre no Conjunto Paar, em Ananindeua, Região Metropolitana de Belém. Ali os assaltos e furtos já tornaram-se “comuns” para os moradores. E são praticados a qualquer hora do dia.

GRADES

 Moradora do conjunto, Andreza Ferreira, 27, é sócia-proprietária de uma loja de confecções e esmalteria, juntamente com a amiga Sandra Martins, 39. Situado na Avenida Rio Tapajós, o estabelecimento é gradeado e é assim que as lojistas costumam trabalhar: com as grades trancadas.

Elas explicam que resolveram reforçar a segurança do ponto comercial devido aos recorrentes casos de assaltos registrados no comércio da região.

“Agora vai chover e vamos ficar na grade. Fica soturno. É tanto mais segurança pra gente quanto pras clientes”, diz Andreza. Para Sandra, a insegurança aumenta ainda mais neste período do ano.

“Começa o mês de dezembro, ficamos mais inseguras ainda porque o movimento aumenta. Às vezes vem casal, a mulher entra pra olhar e o rapaz fica fora. Ela fica olhando e já dá orientações pra ele. Já desconfiamos disso aqui”, frisa.

Comerciantes usam redes sociais para tentar se proteger

Até grupo no WhatsApp os comerciantes da área pensam em criar para se comunicarem e avisarem quando um deles perceber uma movimentação suspeita.

“Já pensamos até em comprar apito pra avisar. Aqui já aconteceram várias situações com donos anteriores. Quando chega casal, uma de nós vai pra frente da loja porque, caso aconteça, uma já pede ajuda”, explica Andreza, acrescentando que já sofreu vários assaltos na rua da casa onde reside no mesmo conjunto.

O abrigo de uma parada de ônibus situada em frente a uma universidade próxima ao viaduto, em Ananindeua, fica vazio, enquanto os usuários do transporte coletivo se aglomeram na área de entrada da instituição onde há movimentação de alunos e vendedores ambulantes.

Os trabalhadores que atuam ali afirmam que os assaltos e furtos podem ocorrer a qualquer momento. “De vez em quando acontece. Principalmente nas ruas ao lado. Perto da parada (abrigo) ninguém fica. As pessoas vêm pra cá por ter mais movimento”, disse um vendedor ambulante que preferiu não se identificar.

Os usuários dos coletivos estão sempre atentos para evitar serem vítimas. “Já vi furto aqui nessa parada. Nunca fui. Mas já presenciei várias vezes. Em ônibus também já vi assalto umas 4 ou 5 vezes. Então tem que ficar atento em qualquer lugar. Infelizmente a gente já fica numa expectativa ruim de quando será nossa vez”, lamenta o aposentado Osvaldo Furtado, 66, que reside em Ananindeua.

PERDEU AS CONTAS

O gráfico Pedro Ferreira, 54, já perdeu as contas de quantos assaltos sofreu nos últimos anos. Mas nem todos entraram para as estatísticas. Ele conta que morou por muitos anos no bairro do Icuí, em Ananindeua, e um dos motivos de ter se mudado para o centro do município foi pelos constantes assaltos.

“Já me levaram oito bicicletas, três relógios, dinheiro, arrombaram minha casa… trabalho aqui em Belém, mas não me sinto seguro em lugar nenhum”, disse enquanto caminhava para um ponto de ônibus no bairro do Marco.

“Às vezes pego ônibus à noite e fico com medo de ficar em parada. Também já fui assaltado em ônibus. Logo no começo fiquei traumatizado. Mas a gente não pode desistir. Tem que tocar a vida pra frente”, reforça ele.

(Pryscila Soares/Diário do Pará)

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