Famílias querem ser remanejadas. Manifestantes fazem ato público de solidariedade a vítimas e famílias em Brumadinho (MG)

Bom futuro. Parece um paradoxo ou ironia que esse nome de um bairro suburbano de Barcarena, que sugere esperança, não garanta um amanhã feliz, ou pelo menos seguro, para quem vive assombrado por uma bacia de rejeitos da mineradora Hydro Alunorte às proximidades.

whatsapp image 2019 01 30 at 002049 - Perigo de acidente em barragem da Hydro assusta moradores de Barcarena

É o caso da cuidadora de idosos Patrícia Neris, de 49 anos, com o marido e um casal de filhos, uma adolescente e um adulto, cuja moradia simples fica a cerca de 850 metros de uma gigantesca barragem da empresa de marca norueguesa. Não há calma ou paz: a tensão é permanente.

A tragédia que acometeu Brumadinho, no interior de Minas Gerais, acentuou o medo, que nunca deixou a família desde o transbordo de materiais da Hydro em fevereiro do ano passado, o qual fez um rastro de destruição e causou prejuízos a diversas comunidades.

Patrícia perdeu bens de sua casa e até uma criação de galinhas que chegava a gerar R$ 500 por mês. Hoje, entendendo estar sob elevada ameaça de outro possível acidente, ela quer sair do lugar onde reside há dez anos, seja por remanejamento e/ou indenização.

“Estamos correndo um alto risco, eu mesma já não consigo dormir mais”, confessa, quase em tom de desespero. “Eu quero sair desse lugar”, pede, mais assustada ainda por causa de mais uma simulação de alarme ocorrida no sábado passado, 25.

Uma líder do bairro, Maria Luzia, mais conhecida como Mara, havia comunicado a moradores do bairro, por meio de grupo de rede social, a realização de um teste experimental da Hydro para uma eventual situação de emergência. Ela tentou passar tranquilidade, mas dizem que não convenceu.

“Se vieram fazer isso é porque o negócio não está bonito lá dentro”, supõe Patrícia, referindo-se ao interior da empresa e da barragem, que agora está completamente isolada, sem que se possa sequer fazer fotos ou filmar. A mulher informou que seria o terceiro simulado na área, um deles de âmbito   interno para os funcionários.

“Como pode as pessoas terem o sono da indolência?”, comentou, em crítica direta aos executivos da mineradora. “Se essa barragem se rompe ou transborda, pelos produtos químicos que estão aí, não seremos identificados  nem pelos nossos cabelos”, supõe.

Patrícia lamenta que um levantamento das condições socioambientais feito pelo Ministério Público do Pará (MPPA), que montou força-tarefa com o congênere federal (MPF), não tenha viabilizado até agora a retirada das famílias da área de Bom Futuro – seriam entre 350 e 400, conforme seus cálculos. Muitas estão assustadas, conforme disse.

Representantes da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec) também estiveram no local, mas até o momento não há qualquer resposta ou qualquer perspectiva. “O meu grito é de socorro”, inconforma-se a moradora, que teme pela própria vida, a dos filhos e do companheiro, 44, que vive de bicos em serviços braçais no município.

Ato Público

Cerca de 30 comunidades de Barcarena e Abaetetuba estiveram representadas no ato público ocorrido nessa terça-feira, 29, na praça da Vila dos Cabanos, em Barcarena, além de representantes do Movimento dos Atingidos por Barragem e do Movimento (MAB) pela Soberania Popular da Mineração (MAM).

Com cerca de três de duração, a programação reuniu grupos de líderes de entidades em solidariedade aos atingidos e famílias de Brumadinho, no interior de Minas Gerais. Com faixas, cartazes e um carro-som, os manifestantes fizeram protestos com palavras de ordem.

De acordo com Robert Rodrigues, da coordenação nacional do MAB, no dia 18 de fevereiro está previsto um outro ato maior em lembrança a um ano do episódio de transbordo de rejeitos da mineradora Hydro Alunorte. O acidente, ocorrido em 17 de fevereiro de 2018, causou grandes prejuízos socioambientais que tiveram repercussão mundial.

Fonte: Portal Roma News / JR RODRIGUES

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