Amazônia perdeu 194 Km quadrados de floresta. Somando os alertas de pequenos desmatamentos, foram 39 km quadrados, 21% do total desmatado. Ou seja, não fosse o novo sistema do Imazon, as derrubadas menores nunca entrariam na estatística.

6212994 x720 300x200 - Pesquisadores desenvolvem sistema que identifica pequenas derrubadas na AmazôniaPesquisadores desenvolvem sistema que identifica pequenas derruadas(sic) na Amazônia

No Pará, pesquisadores desenvolveram um sistema de monitoramento florestal capaz de identificar pequenas derrubadas na Amazônia que antes não eram detectadas pelos satélites. Com essa tecnologia, os especialistas descobriram uma nova geografia do desmatamento na região.

Quando se trata de Amazônia, um hectare de floresta é como se fosse um grão de areia na praia de Copacabana. De tão pequeno, nenhum satélite consegue detectar sozinho. Mas o Instituto Imazon, em Belém, decidiu combinar imagens de três satélites ao mesmo tempo, e o que era invisível, começou a aparecer no mapa do desmatamento.

“Esses números, gerados a partir do novo sistema multisensor, são bastante interessantes e reveladores, principalmente quando a gente olha a quantidade de alertas detectados no mês de agosto. Praticamente 80% dos alertas estão nessa faixa de 1 a 10 hectares”, diz o pesquisador do Imazon Marcelo Justino.

Em um levantamento mais recente do Imazon, a Amazônia perdeu 194 Km quadrados de floresta. Somando apenas os alertas de pequenos desmatamentos, foram 39 km quadrados, 21% do total desmatado. Ou seja, não fosse o novo sistema do Imazon, essas derrubadas menores nunca entrariam na estatística.

A combinação de satélites também revelou uma nova fronteira de desmatamento entre os estado do Acre, Rondônia e Amazonas e na região da Transamazônica no Pará.

Os satélites alertaram recentemente desmatamento no município de Tomé Açu, nordeste paraense. Equipes foram até o local, uma fazenda que fica a cerca de 35 km do centro de Tomé Açu. O que os satélites enxergaram lá do alto foi comprovado em campo. Depois de derrubar centenas de árvores, o responsável pelo desmatamento já começou a juntar os galhos e troncos para queimar tudo e preparar a área para a criação de gado.

Em outra área da fazenda, parte da floresta também veio a baixo. O secretário de meio ambiente de Tomé Açu disse que o proprietário da fazenda não tinha autorização para desmatar e será multado.

Em uma fiscalização no município vizinho, Paragominas, a área desmatada era 10 vezes maior do que a que aparecia no alerta do Imazon. O fazendeiro também não tinha licença para derrubar a mata e terá de se explicar. “Essa tecnologia do Imazon permite essa qualidade da informação, mas a informação precisa ser casada com a ação de campo, porque é no campo que você valida aquela informação do satélite e que se toma as medidas legais”, diz a secretária de meio ambiente de Paragominas, Jaqueline Peçanha.

O Imazon diz que ainda é cedo para saber qual será o impacto das derrubadas menores no cálculo anual da taxa de desmatamento na Amazônia, porque esse novo monitoramento está apenas começando. Os pesquisadores afirmam que o mais importante no novo sistema é alertar a fiscalização mais rapidamente.

Quem realiza desmatamento sem autorização do Ibama pode pagar multa, que é calculada de acordo com a área destruída, e também pode ter a propriedade embargada até que essa área seja regenerada.

(G1 Pará)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here