PMais de 400 pessoas foram mortos ou feridos na violência durante três dias de votação das eleições parlamentares de outubro no Afeganistão, informou a ONU nesta terça-feira (6). Os números indicam que essas eleições foram as mais violentas já registradas no país.

A grande maioria das 435 vítimas – 56 mortos e 379 feridos – aconteceu no primeiro dia de votação, em 20 de outubro, informou a Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (Unama) em um relatório.

O número foi comparado ao de 251 pessoas mortas ou feridas na eleição presidencial de 2014, marcada pela fraude, e é mais do que qualquer outra pesquisa desde que a Unama começou a documentar mortes de civis em 2009.

Além disso, nos seis meses que antecederam a votação, quase 500 pessoas foram mortas ou feridas – mais de um terço delas eram mulheres e crianças – e 245 foram sequestradas.

“Atos deliberados de violência contra civis e locais civis – que incluem centros de votação – bem como ataques indiscriminados, são estritamente proibidos pelo Direito Internacional Humanitário e constituem crimes de guerra”, disse a Unama.

Ataques de extremistas

Dias antes da eleição, o Talibã emitiu vários alertas de que atacaria os centros de votação. O grupo aconselhou eleitores a ficarem em casa e os candidatos a desistirem da disputa.

Segundo a agência da ONU, o Talibã usou principalmente foguetes, granadas, morteiros e bombas para interromper a votação e impedir que as pessoas aparecessem nos locais de votação.

O ataque mais violento, uma explosão suicida em Cabul que matou 13 pessoas e feriu 40, foi reivindicado pelo grupo do Estado Islâmico.

Teste para eleições presidenciais

Os números oficiais mostram que cerca de 4,2 milhões de afegãos votaram, em comparação com quase 9 milhões que foram registrados para participar.

Muitos suspeitam que um número significativo deles foi baseado em documentos de identificação falsos que os fraudadores planejavam usar para ir às urnas.

A votação foi realizada ao longo de três dias. Problemas com dispositivos de verificação biométricas não testados e cadernos eleitorais ausentes ou incompletos causaram atrasos nos centros de votação. Muitos locais de votação abriram mais tarde ou permaneceram fechados.

A divulgação dos resultados iniciais foi adiada para 23 de novembro.

A eleição parlamentar, atrasada em mais de três anos, é vista como um teste para as eleições presidenciais do ano que vem.

Também é considerada um marco importante antes da reunião da ONU em Genebra, que acontecerá neste mês. O Afeganistão está sendo pressionado para mostrar progressos em “processos democráticos”.

Por France Presse

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