O paraense Josué Dathai, de 34 anos, saiu no dia 9 de março, da cidade de Belém do Pará, para levar a mensagem: “Eu me importo. Não vou me esquecer”, num gesto de amor para com as vítimas da tragédia ocorrida em Brumadinho, que desolou muitas vidas.

IMG 20190415 WA0021 300x225 - Chega finalmente em Brumadinho, o paraense que viajou de biciceta com uma mensagem de amor às vítimas da tragédia
Foto: Josué Dathai

Ele já narrou sua motivação e alguns trechos dessa aventura aqui em nosso site, e hoje conta a emoção dessa chegada que aconteceu na tarde ontem (15). Ao chegar, ele foi recepcionado por Hilda, que lhe apresentou a cidade de Mônica, e espontaneamente cedeu espaço para que ele se abrigasse. Outro ciclista, o Serginho, levou-o ao Córrego do Feijão, local onde houve o rompimento da barragem.

IMG 20190415 WA0023 300x225 - Chega finalmente em Brumadinho, o paraense que viajou de biciceta com uma mensagem de amor às vítimas da tragédia
Foto: Josué Dathai

Aqui, Josué fala da sensação de finalmente chegar ao lugar que trouxe profunda comoção a todos os brasileiros.

“A sensação de chegar a Brumadinho foi a de ter alcançado uma grande Vitória. Um turbilhão de emoções me veio, chorei ao subir o lugar chamado “Topo do Mundo”, entrada para Brumadinho.
É difícil explicar tantas nuances de sentimentos juntos: era o resultado de esforço e persistência física e psicológica; mas era também como se eu trouxesse o Brasil inteiro comigo para abraçar uma cidade; era também o senso de Humanidade no seu alto exercício. Num instante fez todo o sentido Ser Humano.
Lembrei de meu pai e no quanto se importaria também com essas pessoas daqui. Lembrei de meus filhos, minha família, meus amigos e amigas.
Penso que, se eu influenciar positivamente uma pessoa a continuar promovendo o bem, terei cumprido minha meta. Se eu conseguir influenciar duas, então a terei dobrado.
Quanto à cidade, é difícil encontrar alguém que não seja amigo, amiga ou parente de algumas das vítimas. O desastre do rompimento da Barragem do Córrego do Feijão abriu clareiras não apenas na mata e não deixou marcas apenas nos rios. Mas abriu feridas profundas nos corações, marcando essas vidas daqui com as consequências da ganância de alguns.
Hoje, ao visualizar de cima de um monte o local do desastre eu fiquei estarrecido. É um cenário tenebroso, aterrador.
Parece que pude sentir o desespero de alguns ao ver a morte chegando rapidamente. Foram apenas alguns segundos e todos estavam mortos.
Mas não há apenas morte por aqui. As pessoas querem vida! Fui muito bem recepcionado por Hilda que me mostrou a cidade. Mônica que me cedeu espontaneamente um ligar para eu ficar. Serginho que me levou àquele local, mas que também organiza um “pedal” para hoje à noite.
Outras tantas pessoas querem me conhecer e saber quem é esse que veio de tão longe pedalando para entregar uma mensagem!
São 3.000 km que foram percorridos, mas eu não me sinto longe de casa. Onde houver pessoas de bem e que promovam a paz aí é a minha casa. Esses são a minha família. É como sinto: todas as pessoas de bem são uma grande família no Brasil e no Mundo.
Brumadinho, não vou esquecer. Eu me importo!
Vamos juntos!”

(Josué Dathai)

– Por Jorginho Quadros

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