Mais um Círio chegou ao fim. Depois de um pouco mais de 4h30 minutos de procissão, a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré entrou na Praça Santuário. Pela primeira vez a imagem foi retirada da berlinda ainda do lado de fora da praça e conduzida até o altar, onde fica até o final da quadra nazarena, ficando ainda mais próxima aos fiéis que aguardavam no local. Com um balanço acima do normal de feridos e atendimentos, além de um volume maior de romeiros – o que pode ter influenciado a decisão de não adentrar com a Berlinda na Praça Santuário de Nazaré, a grande romaria Círio de 2018 completou sua previsão e chegou às 11h42 à praça.

A Romaria deste ano, que começou 30 minutos mais tarde, partiu às 7h das proximidades da Catedral Sé, na Cidade Velha, conforme o novo horário previsto pela Diretoria da Festa. O atrelamento da Berlinda à corda aconteceu às 7h26, meia hora após o previsto. Milhares de fiéis já acompanhavam, desde as 5h30 da manhã a missa campal, na praça Frei Caetano Brandão, que dá largada à procissão que é o ponto alto da programação das romarias nazarenas. Cerca de dois milhões de pessoas acompanharam o Círio este ano, estima a coordenadoria da festa e o Dieese-PA.

“A história de todo paraense tem um fio condutor com Nossa Senhora de Nazaré, por termos nascidos sobre a proteção da Virgem Maria, mãe de todos”, disse o Arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira, durante a cerimônia, no início da oração do Creio em Deus, Pai. A missa encerrou pontualmente às 6h30, como o previsto.

O corte a corda aconteceu assim que o cortejo chegou à reta final, na avenida Nazaré, após as homenagens feitas pelos moradores do edifício Manoel Pinto Silva. Eram 9h38 quando um grupo de pessoas com facas cortaram a corda. Promesseiros começaram a gritar para impedir a ação, mas não conseguiram. O Exército ainda tentou atuar para impedir o corte, mas não teve sucesso. A corda foi partida pela primeira vez em frente à TV Liberal.

Às 10h, um outro trecho da corda foi cortada, dessa vez na esquina da avenida Nazaré com a travessa Benjamim Constant. A ação da multidão foi muito mais tumultuada. Houve pancadaria. Leandro Araújo, gestor de contratos, teve seu carro – um Toyota Etios -, amassado pelos que disputavam um pedaço da corda. O automóvel chegou a ser arrastado.

Algumas pessoas foram imprensadas contra o veículo. “Acho difícil ter esse prejuízo ressarcido por alguém. Mas, tudo bem. Bens materiais a gente recupera”, disse o dono do veículo,  que há cinco anos é voluntário na procissão.

Pisoteamento – Logo na primeira hora de procissão, pessoas foram pisoteadas em frente à Companhia Docas do Pará, na Boulevard Castilhos França. A grande pressão, fez com que a romeiros caíssem sobre as ferragens de proteção que isolavam áreas do percurso. Houve corre-corre e empurrões. Romeiros caíam e levas de outros fiéis se “derramavam” por cima dos caídos.

Algumas foram atendidas pelos postos de apoio ao Círio e liberadas com os familiares. Outras foram encaminhadas ao HPSM da 14 de Março. Duas vítimas graves foram atendidas e levadas a hospitais da cidade. Uma das atendidas foi uma criança de 10 anos, com suspeita de fratura. A senhora Maria José, de 59, foi encaminhada ao hospital com suspeita de hemorragia interna. O Portal ORM ainda apura o estado de saúde dos romeiros. A Sesma disse inicialmente que ainda não dispunha de informações.

Do sábado da Trasladação às 8h23 da manhã deste domingo de Círio, o postoa Defesa Civil que fez o atendimento dos csos de pisoteamento já tinha contabilizado 150 pessoas acolhidas na tenda, localizada na presidente Vargas com a Marechal Hermes.

Atendimentos – O esquema de atendimento em saúde contou nove postos montados ao longo do percurso com equipes completas de assistência, além de uma ambulância. Ao todo foram registradas 22 ocorrências de remoções médicas para hospitais de referência, a maioria dos casos relacionados a pacientes cardiopatas.

O Corpo de Bombeiros Militar realizou 67 atendimentos emergenciais.Houve ainda o registro de dois roubos, além da condução de uma pessoa para a delegacia de polícia. Doze crianças e um adolescente perdidas foram direcionadas aos postos da Cruz Vermelha e encaminhadas para o juizado da infância e juventude. Já a Cruz Vermelha contabilizou 1.008 ocorrências, 368 casos a mais do que no ano passado.

Fonte: Orm

Foto: Evandro Corrêa/Portal Pará News

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