De acordo com a estimativa da Associação dos Renais Crônicos e Transplantados do Pará (ARCT-PA), os números podem ser ainda maiores: mais de três mil pacientes, sem contabilizar os que já passaram por um transplante.

Embora seis delas tenham sido repostas na última semana e haja a expectativa de reposição dos demais 19 rótulos esgotados até o fim do mês, as quantidades enviadas devem cobrir apenas 30 dias de tratamento.

No próximo dia 29 deste mês, o titular da Sespa, Alberto Beltrame, que acumula ainda o cargo de presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), se reúne em Brasília (DF) com o ministro Luiz Henrique Mandetta, para contribuir em uma força-tarefa que busca construir uma solução para manutenção dos fármacos.

VELHO PROBLEMA

Diretora da ARCT-PA, Belina Soares confirma que a falta ou escassez de medicação não é algo de novo na realidade dos mais de 3,2 mil renais crônicos e 900 transplantados, segundo dados da própria Associação. “Pelo menos três remédios estão em falta. Os que ainda tem estão contados ‘certinho’, sem reserva, embora todo o planejamento tenha sido feito. E não sabemos se vai ter para o mês que vem”, teme. “Os quantitativos já estavam vindo menores em relação ao que era solicitado. Se a gente pedia 200 mil comprimidos/mês, recebíamos 120, 70”, relata. A falta atinge ainda pacientes em tratamento de câncer de mama, leucemia em crianças, artrite reumatoide, esquizofrenia, infecção crônica pelo vírus da Hepatite B e C, doença de Parkinson e Alzheimer
e inflamações diversas.

Segundo o titular da Sespa, o orçamento de R$ 5,3 bilhões para atender a todos os dois milhões de brasileiros que precisam ser medicados por conta de um mal crônico não é ‘folgado’ para atender a demanda, mas é menos problemático que os trâmites burocráticos atualmente praticados. “O ministro Mandetta, na verdade, herdou essa situação de caos, em que são necessários mais processos licitatórios de compra para estoques de curta duração, de três, quatro meses. Correria tudo bem se os processos corressem sem problemas, mas não é o que ocorre e quase que sempre. Aí a medicação acaba e a licitação ainda está
em andamento”, explica.

Ainda segundo Beltrame, como cada medicação representa um processo diferente de compra, é o estágio de cada um que acaba por definir o tempo de entrega: alguns já estão na fase de assinar o contrato, outros na fase de distribuição, outros no fim da licitação, etc. “Mais que uma crise administrativa, é uma crise humanitária”, reconhece.

cid qua 150519 02 15 05 2019 07 21 50 - Crise de remédios no País afeta pacientes crônicos paraenses

(Carol Menezes/Diário do Pará)

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