É muito grave e triste ver que os noticiários sobre suicídio não param de surgir. Vítimas da depressão, principalmente, que por muitas vezes não sabem que estão com esta doença, e que, portanto, não procuram tratamento adequado. Outras vezes, quando sabem, surgem certas interferências que não contribuem com a sua recuperação, como: falta de apoio familiar, recusa em fazer uso das medicações prescritas pelo médico, desistências das terapias que, geralmente, são longas, e… a questão religiosa que, em muitos casos, não contribui, infelizmente, para o tratamento do transtorno mental, dentre os quais, a depressão.

Em geral, os transtornos mentais ainda em pleno século XXI, são muito estigmatizados pela população que o desconhece, com ideias de que a pessoa está “louca”, “doida”, “que é falta do que fazer”, “que é frescura”, “isso é coisa de adolescente, isso passa”, “falta de Deus”, “falta de fé”, ou até mesmo que a pessoa está com “encosto” ou o “diabo” no corpo, e que somente ir para uma igreja pode resolver o caso. Já encontrei e ainda encontro inúmeras situações na minha prática profissional, em que a pessoa com transtorno mental se recusa, procrastina ou interrompe o tratamento por crença religiosa, e já vi casos em que, por orientação de seu “superior religioso”, jogam suas medicações na fogueira, na crença somente de que Deus, Jesus podem curá-lo, pois além de tudo isso, ainda há o preconceito com as medicações que são chamadas de “tarja preta”.

Há vezes em que a pessoa em sofrimento psicoemocional deseja ajuda e partilha isso com a família, e também por questões religiosas não procuram apoio de um profissional da saúde mental, direcionando a pessoa somente para o “tratamento espiritual”. O que não resolve.

A fé, a religião e a espiritualidade são importantíssimas na vida das pessoas, e sabe-se também que a oração ajuda e muito na cura de diversos tipos de doenças. A ciência já fala muito sobre isso. Porém, ela precisa andar junto com os demais tratamentos direcionados para a realidade da pessoa doente, seja este medicamentoso, cirúrgico, terapêutico, enfim.

No contexto da pessoa em sofrimento psicoemocional, esta necessita do apoio familiar, da rede de amigos presente, das psicoterapias, em muitos casos também das medicações e da espiritualidade dando suporte a tudo isso, e não negando ou excluindo essas formas de tratar, pois estes casos, a exemplo da depressão, possuem questões fisiológicas em desordens e por isso o humor e os sentimentos ficam alterados, ou seja, ela pode ser desencadeada por problemas hormonais ou déficits de vitaminas, por exemplo, e a química do cérebro, que são os neurotransmissores responsáveis pelo sentimento de alegria e equilíbrio do humor, como a serotonina, a noradrenalina e a dopamina estão em desequilíbrio e isso desencadeia a depressão. Por isso a necessidade do tratamento medicamentoso.

As psicoterapias realizadas pela psicologia e terapia ocupacional objetivam, cada um com sua competência profissional, a corrigir esses pensamentos distorcidos, irrealistas e automáticos, além de resgatar a autoestima, os autocuidados, o prazer pela vida, a (re)descoberta de habilidades para uma vida mais prazerosa e criativa.

Não deixe a depressão se agravar ao ponto de haver uma tentativa de suicídio! A religiosidade precisa ser parceira e não excluir o tratamento adequado. A depressão é uma doença muito séria e que tem tratamento. Busque ajuda profissional além de fortalecer sua fé.

Por Andiara Ferreira dos Santos


Sobre a autora:

 

FB IMG 1556636233219 300x225 - Depressão e Religião - Por Andiara Ferreira dos Santos

Andiara Ferreira dos Santos é Terapeuta Ocupacional graduada pela Universidade do Estado do Pará-UEPA/Belém, com especialização em Saúde Mental e formação em Terapia Comunitária. Possui experiência em diversos campos da Saúde Mental (CAPS, Clínica de Psiquiatria e Comunidade Terapêutica, além de atuação na educação e abrigos de idosos e crianças). Foi professora da disciplina Estágio Supervisionado para o curso de Terapia Ocupacional na UEPA/Belém e na escola SOTER, em Paragominas, na disciplina de Saúde Mental. Mestre Reiki desde 2001 e instrutora de Yoga pelo Amazon Yoga Inbound, em Belém.

Ela atende no Espaço Terapêutico Andiara Ferreira dos Santos localizado na Rua 31 de Março, 180 – Célio Miranda. Paragominas-PA. Contato: 98172-8855.

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