iStock 75117947 SMALL 840x565 300x202 - A dificuldade de orgasmo

Pesquisas nacionais apontam que cerca de um terço das mulheres brasileiras têm dificuldade para chegar ao orgasmo.

O que será que causa isso? Nascemos com algum tipo de defeito? É uma questão física ou emocional? Dá para resolver? Mais: no que isso interfere no relacionamento do casal?

Essas e outras questões incomodam muito as mulheres e seus parceiros também. A boa notícia é que: 1) não, ninguém nasce com defeito; e 2) sim, é possível tratar e resolver essa dificuldade. Como fazer isso é que talvez seja o grande segredo.

Para começar, é preciso saber de onde vem essa dificuldade. Pode até haver casos em que as mulheres começam a apresentar dificuldades de orgasmo por questões físicas. Como, por exemplo, quando surge uma doença sexualmente transmissível que causa incômodo, ardência ou dor na região genital. Ou quando a lubrificação vaginal se altera de alguma forma, dificultando a penetração. Para essas questões o tratamento costuma ser bem rápido: basta buscar o médico ginecologista e fazer o que for recomendado para se livrar ou amenizar os sintomas da DST. Para a lubrificação vaginal, em muitos casos basta usar um lubrificante à base de água, vendido em farmácias ou sex shops.

No entanto, na maioria das vezes as causas da dificuldade de orgasmo não são físicas, mas sim emocionais. E aqui a virada de jogo pode levar um pouco mais de tempo, além de paciência consigo mesma.

Há uma infinidade de possíveis causas emocionais para não conseguir chegar ao clímax. Cada pessoa é única, com um jeito único de ser, e terá de descobrir o que especificamente para ela está complicando o prazer sexual. Digo isso sempre, seja nas colunas, no consultório ou nas palestras que faço pelo Brasil afora. É importante se lembrar dessa informação, para não ficar procurando fórmulas prontas e mágicas para chegar ao orgasmo, pois isso não existe.

O caminho para chegar lá requer uma profunda investigação de si: dos seus valores, das suas crenças, da sua história de vida e do jeito de se relacionar com os significados que dá para o sexo. Muitas vezes, achamos que estamos fazendo algo de errado ao ir para cama. Ou ao se masturbar. Essa é uma visão antiga, lá da Idade Média, época em que o sexo só era permitido para procriação e sentir prazer era considerado algo errado e sujo.

Essa visão permaneceu por muito tempo na vida da gente e mais intensamente em relação às mulheres. Na época das nossas avós ou bisavós, por exemplo, a mulher “direita” não podia sentir desejo nem demonstrar prazer sexual. Resquícios desse pensamento equivocado muitas vezes ficam na nossa cabeça, de forma até inconsciente. E eles nos atrapalham na hora de relaxar, curtir a relação sexual e viver o prazer em toda a sua intensidade.

Outra coisa que prejudica a obtenção do orgasmo é a falta de conhecimento do próprio corpo e dos seus mecanismos de prazer. Como falamos aqui, cada pessoa é única, e vai ter um jeito só seu de sentir desejo e se excitar sexualmente. Descobrir esse jeito é algo feito mais facilmente durante a masturbação. Mas isso nos lança à outra dificuldade: cerca de um terço das mulheres, coincidentemente, acham que é errado se masturbar. No passado, até acreditava-se que a masturbação era uma prática nociva. Hoje sabemos que é algo saudável e importante para encontrar o caminho para o orgasmo. Mas, claro, ninguém é obrigada a se masturbar, não é mesmo? Vale para quem sente vontade.

Outra questão que influi no prazer: a obrigatoriedade, seguida pelas cobranças das mais variadas. Muitas vezes nos obrigamos a fazer coisas que não gostamos. Ou nos cobramos uma infinidade de outras mais. Tudo isso complica o prazer. Por exemplo, ao ir para a cama, é uma atitude que só atrapalha ficar se cobrando o tempo todo coisas do tipo: “Será que eu vou ter orgasmo hoje? Tenho que ter!” ou “Não tenho! O que vão pensar de mim?”.

Há quem resolva até fingir, o que também não é uma atitude interessante, pois não ajuda a chegar ao clímax. Pelo contrário: pode prejudicar ainda mais. Ser franca com você e com a pessoa que está ao lado talvez seja também um passo inicial para lidar com essa dificuldade tão complexa.

Para ajudar em todas essas investigações necessárias, o especialista mais indicado é o psicólogo. Vale se encorajar e marcar uma consulta. E quanto ao relacionamento do casal, será que a falta de orgasmo feminino atrapalha? Pode até ser que sim, mas o importante aqui é a mulher não colocar mais esse item na lista de preocupações. Calma! Busque o tratamento necessário, não se cobre nem se culpe tanto, e seja mais feliz.

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Por: Laura Muller:

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