'É preciso deixar o lixo acumular', diz secretário sobre descarte de lixo hospitalar (Foto: via Whatsapp)

Denunciante afirma que uma empresa foi contratada por mais de 100 mil reais para cuidar da coleta, mas que nunca prestou o serviço (Foto: via Whatsapp)

Sem saber mais o que fazer, uma moradora procurou o DOL para denunciar o acúmulo de lixo hospitalar que põe em risco a vida dela e de todos os moradores do bairro da Barraca, município de Marapanim, nordeste paraense.

Por telefone, a moradora – que preferimos não divulgar o nome – afirma que o lixo fica acumulado atrás da Unidade Básica de Saúde (UBS), localizada na rua Magalhães Barata, sendo separado apenas pelo muro da unidade. “Por causa da chuva, o muro cedeu e nós vimos como está a situação: lixos hospitalares de todos os tipos acumulados lá atrás. Foi só assim que conseguimos entrar para fazer as fotos, mas assim que eles viram a gente entrando, correram pra tampar o local”, diz.

Por duas vezes o Fórum de Justiça de Marapanim foi procurado para acolher as denúncias. Ela afirma que, na primeira vez, foi dito que a Prefeitura seria intimada e que um promotor ficaria a cargo de fazer uma vistoria, mas ressalta que nada foi feito até o momento.

Lixo hospitalar jogado atrás da UBS de Marapanim (Foto: via Whatsapp)

109,512 MIL REAIS JOGADOS FORA

Um documento recebido pelo DOL mostra em detalhes que a Prefeitura de Marapanim, através do Fundo Municipal de Saúde, contratou a empresa “J&J Ambiental Comércio e Serviços LTDA-EPP” para fazer o serviço de “coleta, tratamento, transporte e destinação final de resíduos hospitalares produzidos pela Unidade Básica de Saúde e Postos de Saúde da Família do Município de Marapanim”.


Unidade Básica de Saúde de Marapanim (à esq.) e depósito onde o lixo acumulado estaria (à dir.) (Foto: via Whatsapp)

A empresa foi contratada pelo valor de R$109.512 reais e iniciou os serviços no dia 3 de julho de 2018 com término previsto para o dia 3 de julho de 2019, exatamente doze meses. Mas, de acordo com a denúncia, ninguém nunca fez a coleta e isso ficou apenas no papel.

“Isso aí é só na teoria. Ninguém nunca viu a coleta ser realizada e o lixo continua acumulado. Nós queremos justiça! Essa situação é um risco para todos nós. Outra coisa, a população quer tocar fogo nesse lixo hospitalar, mas eles foram impedidos na primeira vez. A gente não garante nada que sejam impedidos numa próxima”, desabafa.

Outros descartes foram flagrados pela população (Foto: via Whatsapp)

OUTRO LADO

A respeito do caso, o DOL falou por telefone com os secretários Jocivaldo Botelho Costa e Maria Alice Leal, respectivamente, secretário de Administração e secretária de Saúde.

Inicialmente quando explicado sobre a situação, Jocivaldo afirmou que é necessário esperar o lixo hospitalar acumular para que a empresa contratada para a coleta faça o serviço. Questionado o porquê da necessidade de acumular um material nocivo como esse, ele orientou que contatássemos a secretária de saúde.

Falamos com Maria Alice por telefone e, indagada da situação, ela afirmou que o serviço da empresa contratada está regulado. O problema teria acontecido porque, segundo o que a empresa informou a ela, o caminhão da coleta teve problemas. “O serviço está regular. O caminhão estava com problemas, pelo menos foi o que a empresa me informou”, disse.

Comentamos com ela sobre a periodicidade do serviço, Maria justificou: “Por se tratar de uma cidade pequena, a coleta do lixo hospitalar é feita uma vez por mês. O sistema já está regulado, inclusive, expliquei a situação para a Promotoria semana passada”.

(Fernanda Palheta/DOL)

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