Adam e Emily Harteau disseram ter ficado à deriva pelo rio por cerca de 3h até alcançarem a margem e serem resgatados por ribeirinhos.

6262520 x720 300x169 - Em depoimento à Polícia e com presença do FBI, casal norte-americano diz que pulou da balsa logo após o ataque pirataO casal de norte-americanos, Adam e Emily Harteau, contou à polícia que pulou no rio logo após a balsa onde estavam, na região do Marajó, ter sido invadida por assaltantes de embarcações, conhecidos como “piratas”. O depoimento do casal foi prestado nesta sexta-feira (3), na sede da Delegacia-Geral de Polícia Civil, em Belém. A família foi resgatada em uma área de mata de Vila Curumu, no Marajó, ainda na quarta (1º), por moradores ribeirinhos.

O depoimento do casal durou cerca de 4h30. De acordo com a Polícia, o casal contou que deixou a balsa assaltada, com as duas filhas, usando uma prancha com a embarcação ainda em movimento. Eles disseram ainda que fizeram isso depois de perceber que os assaltantes tinham ido embora, antes de chegarem ao porto. De acordo com o casal, foram quase 3h navegando pelo rio com dificuldade para chegar à margem, quando eles ficaram escondidos na mata.

Os americanos foram ouvidos separadamente. As oitivas foram acompanhadas pela presença de um intérprete, que neste caso é um agente do Federal Bureau of Investigation (FBI), que integra o grupo da Embaixada dos Estados Unidos e do Consulado norte-americano no Brasil, que acompanha o caso.

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Família norte-americana que estava desaparecida ao desembarcar no hangar do Governo do Pará, em Belém (Foto: Reprodução/TV Liberal)

O depoimento da família se diferencia da versão divulgada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Pará (Segup) divulgada na quarta-feira (1º). Segundo o secretário adjunto André Cunha, após o crime, a polícia fez buscas na região e conseguiu reaver alguns objetos. Entre eles, um notebook da família americana, usado para postar fotos da jornada pela América Latina. Quando a polícia retornou à balsa para entregar os objetos recuperados, a família americana não foi encontrada e, a partir de então, foi dada como desaparecida.

De acordo com a Segup, havia uma pequena quantidade de maconha no automóvel que Adam e Emily conduziam na balsa. “Não se sabe realmente por que eles saíram da embarcação. Se saíram motivados pelo susto em decorrência do fato ou, talvez, com medo da atuação da polícia na situação. Não se sabe se o medo era porque estavam com certa quantidade de droga, que foi apreendida em Macapá pela Polícia Federal. O fato é: após a polícia sair para fazer as diligências, eles saíram da embarcação”, informou, ainda na quarta (1º), André Cunha.

Investigação

De acordo com a delegada Vanessa Souza, quatro piratas foram identificados, mas apenas três reconhecidos até o momento, como responsáveis pelo crime. O número total de criminosos que atuou no assalto à balsa está sendo investigado.

Na próxima semana, a Polícia deve ouvir outras testemunhas, dentre elas os integrantes da tripulação da balsa “Andorinha”, assaltada na noite do domingo (29), às proximidades da cidade de Breves.

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Local por onde passaram os turistas americanos que se perderam (Foto: Infográfico: Alexandre Mauro e Igor Estrella/G1)

Entenda o caso

Adam Harteau, de 39 anos, Emily Faith Harteau, de 37, e as duas filhas, de 3 e 6 anos foram resgatados em uma área de mata de Vila Curumu, no fim da tarde de quarta-feira (1º), por moradores ribeirinhos.

A família viajava em uma balsa que seguia de Belém (PA) para Macapá (AP) quando a embarcação foi invadida próxima de Breves, na Ilha de Marajó. Os assaltantes, conhecidos como “piratas”, roubaram pertences da família e de outros passageiros. Após o crime, a polícia fez buscas na região e conseguiu reaver alguns objetos. Entre eles, um notebook da família americana. Quando a polícia retornou à balsa para entregar os objetos recuperados, a família americana não foi encontrada.

Os americanos disseram à polícia que ficaram escondidos na mata e que durante os três dias sobreviveram comendo frutas, folhas e insetos e bebendo água do rio. Disseram ainda que demoraram para pedir socorro porque estavam muito assustados.

(G1 Pará)

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