“Na água, essas folhas liberam nutrientes que estão disponíveis para outros organismos, como algas, bactérias e fungos”

Uma equipe de pesquisadores de diversas instituições na Península Ibérica, América do Sul e África realizou, pela primeira vez, um estudo que detalha a forma como as plantações de eucaliptos afetam os riachos em diversas partes do mundo. O eucalipto é nativo da Austrália, mas as plantações dessa espécie ocupam atualmente mais de 20 milhões de hectares no mundo.

Os efeitos destas plantações no funcionamento dos riachos têm sido estudados nos últimos 30 anos, especialmente na Península Ibérica, o que limita o conhecimento real dos efeitos que estas plantações podem ter sobre o funcionamento dos riachos outras regiões onde o clima, vegetação nativa e comunidades aquáticas diferem. De acordo com Veronica Ferreira, pesquisadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Universidade de Coimbra (Portugal), não necessariamente essa interação é negativa.

“Os córregos que cortam as florestas estão geralmente à sombra e é por isso que os organismos aquáticos dependem fortemente das folhas da vegetação ribeirinha. Na água, essas folhas liberam nutrientes que estão disponíveis para outros organismos, como algas, bactérias e fungos”, comenta ela.

Nesse cenário, alguns organismos aquáticos, como os invertebrados, se alimentam diretamente das folhas e promovem a liberação de partículas que servem de alimento para invertebrados coletores. Esses invertebrados, por sua vez, servem como alimento para predadores como ninfas de libélulas e peixes.

No entanto, isso pode causar alguns problemas. “Mudanças na floresta podem levar a mudanças no número de folhas, o que pode criar desequilíbrios nas comunidades aquáticas e a capacidade dos córregos de fornecer serviços para populações humanas, como água ou peixe de boa qualidade”, afirma.

“Este estudo destaca a necessidade de avaliar os efeitos das plantações em riachos, levando em consideração as características locais. Um esforço deve ser feito para conservar a vegetação nativa da mata ao lado dos riachos para mitigar os efeitos das plantações “, conclui.

Por: AGROLINK –Leonardo Gottems

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