Groenlândia vai às urnas em busca de sua independência da Dinamarca 300x169 - Groenlândia vai às urnas em busca de sua independência da Dinamarca
Sara Olsvig, líder do partido Comunidade do Povo Inuíte, vota na capital Nuuk, nesta terça-feira (24).Ritzau Scanpix/Christian Klindt Soelbeck/via REUTERS

Na maior ilha do mundo, a Groenlândia, cerca de 40 mil habitantes vão às urnas nesta terça-feira (24) para escolher os novos membros do Parlamento local. O resultado da eleição será decisivo para o processo de independência da ilha, que não é completamente autônoma e pertence ao Reino da Dinamarca.

Com colaboração de Margareth Marmori, correspondente da RFI em Copenhague

O partido Siumut, que segue uma linha social-democrata, é um dos favoritos na disputa pelos 31 assentos do Inatsisartut, o Parlamento groenlandês. A legenda do atual primeiro-ministro Kim Kielsen lidera a coalizão que governa a ilha e vem dominando o cenário político groenlandês desde 2009, quando o território passou a ter um governo parcialmente autônomo.

Dos sete partidos que participam da eleição de hoje, seis defendem a independência da ilha, mas discordam quanto à rapidez com que esse processo deve acontecer. O Siumut, por exemplo, defende que o processo de independência aconteça de forma gradual e lenta. Já para o segundo maior partido do país, o socialista Comunidade do Povo Inuíte, a independência é uma questão urgente.

Seis das sete legendas groenlandesas preconizam que a aceleração do processo de independência deve ser prioridade. Um único partido, Samarbejdspartiet, fundado em março, é o único a se pronunciar em favor do fortalecimento da relação com Copenhague et contra a independência. Não por acaso, ele tem apenas 2,9% das intenções de voto.

Colônia dinamarquesa durante mais de dois séculos, a Groenlândia é desde 1953 um território da Dinamarca, com um status hoje de “país em constituição”. Mas, na prática, os groenlandeses não têm os mesmos privilégios dos cidadãos europeus. Um referendo realizado em 1985 retirou o território do que na época não passava da Comunidade Econômica Europeia – o que não foi o caso da Dinamarca.

Com um clima ártico e temperaturas máximas que não passam de 10°C, é uma das regiões menos povoadas do mundo. Seu território de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados é quarenta vezes maior do que o da Dinamarca e três vezes maior do que o da França. Mas lá vivem apenas 55 mil pessoas, a maioria de origem inuíte, que é o povo também conhecido como esquimó.

Economia da ilha depende da Dinamarca

Na Dinamarca, a tendência é que o governo respeite a vontade do povo da Groenlândia. Mas gera polêmica o fato de que a economia da ilha depender muito de Copenhague, que anualmente repassa à Groenlândia 4 bilhões e 300 milhões de coroas (equivalente a quase R$ 2,5 bilhão). Esse valor cobre mais de 55% do orçamento anual da Groenlândia.

O primeiro-ministro dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, já repetiu várias vezes que, se os groenlandeses decidirem pela independência, devem se acostumar à ideia de que não receberão mais essa ajuda financeira. A declaração soa como uma ameaça para os groenlandeses, que esperam poder continuar a receber apoio para resolver seus inúmeros problemas sociais, como por exemplo o baixo nível educacional e os altos índices de alcoolismo e crimes sexuais.

Dinamarqueses são contra a independência

Em uma pesquisa recente feita a pedido da rede de televisão DR, 57% dos entrevistados responderam que acham que a Groenlândia deve continuar a fazer parte do Reino da Dinamarca. Há muitas razões que explicam o interesse dos dinamarqueses em se manterem ligados politicamente à ilha. Uma delas é a forte ligação cultural e histórica entre os dois povos. Há mais de 15 mil groenlandeses vivendo na Dinamarca, que começou a colonizar a ilha há quase três séculos.

Mas há também interesses comerciais na questão. Atualmente, a Groenlândia custa dinheiro à Dinamarca, mas a ilha tem um enorme potencial econômico na forma, por exemplo, de reservas minerais e depósitos de água doce, o que gera grande interesse de potências econômicas mundiais como a China.

Além disso, a Groenlândia tem grande importância estratégica devido à sua posição geográfica entre o norte da Europa e o Canadá e a proximidade com a Rússia. O domínio da ilha poderia ser decisivo num eventual conflito militar no Atlântico Norte.

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