Por G1 PA — Belém

2018 03 23 photo 00075869 - Hydro Alunorte anuncia suspensão de 100% das atividades em Barcarena e Paragominas
Hydro Alunorte em Barcarena foi condenada por despejo irregular de resíduos no meio ambiente. — Foto: Tarso Sarraf / O Liberal

A refinaria de alumina Hydro Alunorte anunciou nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (3) que suspenderá temporariamente 100% de sua operação nos municípios de Barcarena e Paragominas, no Pará. A Alunorte está operando com 50% de produção desde março, após ser flagrado o despejo irregular de resíduos, causando danos ao meio ambiente.

Segundo a empresa, a decisão foi tomada após verificar que a área de depósito de resíduos de bauxita 1 (DRS1) está próxima de atingir sua capacidade, devido ao embargo que impede o uso do filtro prensa, tecnologia de última geração, e da recém-desenvolvida área de depósito de resíduos de bauxita (DRS2).

Segundo a Hydro, os embargos impediram a Alunorte de utilizar a mais nova área de depósito de resíduos de bauxita (DRS2) e a tecnologia de filtros prensa, que representam um investimento de mais de R$ 1 bilhão. Ainda segundo a empresa, devido ao embargo, a Alunorte foi forçada a operar apenas o DRS1, que foi originalmente planejado para ser encerrado.

O DRS1 está encerrando seu tempo útil mais rápido do que o previsto, fazendo com que a Alunorte tome a decisão de encerrar temporariamente 100% de suas operações. Isso terá efeito imediato na mina de bauxita de Paragominas, que também suspenderá 100% das operações.

Tanto a Alunorte quanto a mina de Paragominas iniciaram o processo de desligamento com segurança nesta quarta-feira (3).

A Hydro informou que está trabalhando em colaboração com os sindicatos e fará o máximo para reduzir as consequências para os empregados, mas afirmou que a decisão de paralisar as operações da Alunorte e da Mineração Paragominas afetará empregos diretos e indiretos em ambas as unidades.

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Órgãos flagraram despejo de rejeitos no meio ambiente. — Foto: Divulgação

Danos ao meio ambiente

Nos dias 16 e 17 de fevereiro deste ano, resíduos de bauxita contaminada vazaram da Hydro Alunorte para o meio ambiente após fortes chuvas em Barcarena. Após uma vistoria com a presença da procuradoria do Ministério Público, foi identificado uma tubulação clandestina que saída da refinaria e despejava rejeitos que contaminaram o solo da floresta e rios das localidades próximas. Ainda foram encontradas outras duas tubulações ilegais que tinham a mesma finalidade.

A empresa recebeu sanções da Justiça que determinou a redução de sua produção em 50% até que sejam resolvidos os problemas das comunidades atingidas pela contaminação e sejam resolvidos os problemas para a captação dos rejeitos das bacias durante as fortes chuvas que caem regularmente na região, além de ter condenado a empresa a pagar R$ 150 milhões por danos ambientes.

O Instituto Evandro Chagas realizou coletas de solo e água nas comunidades que ficam ao redor da Hydro e após análise em laboratório foi constatado alteração nos elementos químicos presentes no solo, além da presença de metais pesados e cancerígenos como chumbo. A Hydro encomendou um estudo que refutou as análises do IEC e negou que houve contaminação.

G1 Pará

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