Cerca de 200 índios ocupam canteiro de obras de hidrelétrica para reivindicar demarcação de terras e devolução de urnas funerárias que teriam sido removidas de território considerado sagrado.

Conselho Indigenista Missionário (CIMI) informou nesta segunda-feira que cerca de 200 índios munduruku ocupam o canteiro de obras da usina hidrelétrica São Manoel, que está sendo construída no município paraense de Jacareacanga, na divisa com o Mato Grosso. O G1entrou em contato com a usina, e aguarda posicionamento oficial.

A hidrelétrica São Manoel começou a ser construída em 2014. Segundo a empresa responsável pela usina o prazo previsto para conclusão da obra é maio de 2018. Quando estiver pronta, seu reservatório terá uma área de 66 quilômetros quadrados, e capacidade de geração de 700 MegaWatts.

De acordo com o CIMI, os manifestantes que representam 138 aldeias da bacia do Tapajós chegaram ao local na noite do dia 15 em quatro barcos para uma manifestação que havia sido definida em maio de 2017, durante um encontro de mulheres na aldeia. Em carta aberta divulgada pelos manifestantes através do conselho, os índios alegam que a obra de construção da usina violou dois territorios sagrados.

“Nossos ancestrais estão chorando segundo nossos pajés. O nosso rio Tapajós e Teles Pires estão morrendo”, diz a carta aberta divulgada pelos Munduruku.

Os índios divulgaram um documento com doze reinvindicações, que inclui acesso a urnas funerárias que teriam sido roubadas durante a construção da usina, o traslado destas urnas para uma terra onde brancos não tenham acesso, a demarcação de terras, criação de museus para a cultura local e de um fundo de amparo financeiro.

Os manifesntates pedem a presença de representantes da Funai, ministérios da Justiça, Meio Ambiente e Minas e Energia, diretores da usina, Ministério Público e Ibama para negociar a pauta de reivindicações. O G1 entrou em contato com a funai em Brasília, mas até a publicação desta reportagem o órgão não se manifestou sobre a ocupação.

cimi - Índios munduruku ocupam canteiro de hidrelétrica de São Manoel no PA, diz Conselho Indigenista Missionário

Carta aberta dos Munduruku explica o motivo da ocupação (Foto: Divulgação / CIMI)

(G1 Pará)

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