Ricos que ostentaram a fuga em jatos e empresas que ameaçaram funcionários caso demorassem a voltar

1505237321 099924 1505327262 noticia normal - Insensíveis e nada solidários: os mais mesquinhos do furacão IrmaFamília foge do furacão Irma de jatinho. LISA HOCHSTEINS INSTAGRAM)

Teve o garoto que morreu tentando salvar sua gata, o herói que arriscou a vida para resgatar os filhotes de cachorro abandonados na tempestade e o dono de uma loja de colchões que abriu suas instalações para os evacuados. Mas em caso de catástrofe, nem tudo são gestos de solidariedade e generosidade. A recente série de furacões que arrasou o Caribe e a costa leste dos Estados Unidostambém teve cenas de mesquinharia humana.

Preços triplicados

A ressaca do Harvey trouxe uma foto viral que mostrava como uma loja da rede de eletrodomésticos Best Buy, em Houston, oferecia um pacote com 24 garrafas de água por 42,96 dólares (cerca de 134,74 reais, lote que em qualquer supermercado custa três vezes menos). Depois da avalanche de críticas, a Best Buy divulgou um comunicado de desculpas dizendo que foi um caso isolado e que em suas lojas só se vendem garrafas avulsas. Foi “um grande erro”, admitiu a empresa, responsabilizando um empregado confuso que multiplicou o preço por unidade e colocou os pacotes à venda.

Nos últimos dias, o Ministério Público do Texas recebeu mais de 500 queixas sobre aumentos de preços semelhantes por causa dos furacões. “Vimos pacotes de garrafas de água por até 99 dólares, hotéis que triplicaram e quadruplicaram suas diárias, gasolina vendida entre 4 e 10 dólares o galão…” [o preço normal oscila entre 2,5 e 2,9 dólares]”, disse o Procurador-Geral do Texas, Ken Paxton, à rede CNBC. “Não se pode fazer isso no Texas”, enfatizou o procurador, “acho que muita gente não sabe disso, mas a manipulação de preços implica em multas significativas; de até 20.000 dólares, inclusive 250.000 dólares se a vítima tiver mais de 65 anos”. O órgão prometeu que as queixas serão investigadas e multadas em conformidade com a lei.

Se você não é hóspede, não o resgato

“Eles desligaram as luzes para nos mandar embora… Tinham 600 vagas, preencheram 300 com hóspedes do Marriott e estamos aqui, cerca de 35 pessoas, e eles não nos deixam entrar no barco […] para voltar para casa […] Então teremos de enfrentar o furacão San José na ilha de Saint Thomas, depois de haver encarado há alguns dias o furacão Irma… Não temos água, comida e nem para onde ir… Eles nos abandonaram”.

Sobre as imagens de um porto às escuras, Naomi Michail Ayala, uma estudante norte-americana de férias nas Ilhas Virgens, narra a situação com voz trêmula. Sua postagem no Facebook deu a volta ao mundo antes que o Marriott desse sua versão: eles queriam evacuar os 35 turistas que não eram hóspedes, mas não havia tempo a perder e as autoridades portuárias não o permitiram.

Alguns dias depois, a rede de fast-foodPizza Hut se meteu em outra confusão de imagem corporativa quando um gerente afixou no mural de uma unidade em Jacksonville, Flórida, um memorando que se tornou viral. Em um frenesi de literatura agressiva passiva, o chefe pedia aos empregados que tomassem todas as precauções necessárias diante da tempestade, mas ele os lembrava encarecidamente que qualquer atraso nos turnos seria punido como de costume.

“A Pizza Hut paga o salário mínimo, mas quer que seus empregados arrisquem suas vidas pelos lucros da empresa”, tuitou um usuário ao lado da foto do memorando. De novo, a marca divulgou um comunicado desvinculando-se da decisão do gerente.

Eu vou de jato

Além das corporações, alguns ricos e famosos também pisaram na bola (com tudo), manifestando uma desastrosa falta de sensibilidade à catástrofe. O bilionário telepregador Joel Osteen ofereceu suas orações às vítimas, mas não abriu as portas de sua gigantesca igreja em Houston (16.000 lugares) para alojá-los. No final, depois de dias de indignação nas redes, mudou de ideia.

(El País)

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