destaque 566401 2 dp20190103 nm 009 - Lixo toma conta de Belém e pode piorar
Na área Canal São Joaquim, no Barreiro, a situação é agravada pela pela presença de urubus (Foto: Ney Marcondes/Diário do Pará)

No último dia 27 de dezembro, a reportagem do DIÁRIO percorreu algumas ruas da capital paraense para ver como estava sendo feita a coleta de lixo, comprometida à época por conta da interrupção no repasse de verbas da Prefeitura de Belém para a empresa BA Meio Ambiente, responsável pelo serviço em 33 bairros da capital. Sete dias depois, o cenário permanece o mesmo, com alguns lugares ainda piores. Verdadeiros lixões a céu aberto continuam poluindo a cidade, incluindo os visitados anteriormente, como a passagem Água Cristal, no bairro da Marambaia. Montanhas de lixo continuam acumuladas nos dois lados da pista que cercam o canal. E a situação pode ficar bem pior a partir deste final de semana.

A empresa responsável por 50% da coleta de resíduos sólidos de Belém, abrangendo 33 bairros e os Distritos de Icoaraci e Outeiro, além de três ilhas, informou, através de sua assessoria, que a reserva de diesel para seus carros de coleta dura até esta sexta-feira. Caso a prefeitura não pague o que deve, a empresa não terá mais como manter o serviço de coleta na sua área de abrangência. A BA argumenta que a prefeitura deve cerca de R$ 15 milhões à empresa, referentes a seis meses de atraso: outubro, novembro e dezembro de 2017 e outubro e novembro e dezembro deste ano. A cada dia que passa cada vez menos carros saem para o trabalho de coleta dos resíduos.

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Na avenida Pedro Álvares Cabral, a calçada e a ciclofaixa deram lugar ao lixo (Foto: Ney Marcondes/Diário do Pará)

Enquanto isso, os moradores já não sabem mais a quem recorrer e constantemente apresentam sinais de doenças provocados pela sujeira. A dona de casa Raimunda Pantoja, 68, conhece bem essa realidade. Há 30 anos mora na passagem União, na Marambaia, e garante que nos últimos meses o descaso tem batido verdadeiros recordes. “Continuam não aparecendo para fazer a coleta. Praticamente desistimos de viver aqui. Não é possível conviver com todo esse lixo. É um absurdo e uma falta de responsabilidade do prefeito”, lamenta.

A reclamação se fundamenta no total sumiço dos caminhões que deveriam fazer o serviço de coleta. Em todos os pontos visitados pela nossa reportagem, os moradores continuam dizendo que desde o Natal não é feita a retirada do lixo e entulho e que a solução encontrada muitas vezes está na vedação total dos imóveis, como explica Augusto César Lima, 47, morador da rua WE-12, no Conjunto Paraíso dos Pássaros, em Val-de-Cans, onde a cena é estarrecedora.

São cerca de 300 metros completamente tomados por sacos de lixo, resto de comida, corpos de animais em decomposição, além de sofás, televisores e muita mosca. O problema se agrava com a presença constante de carroceiros, que muitas vezes chegam de dupla e ameaçam quem os repreende. Para se ter uma ideia, não há mais espaço algum para o tráfego de veículos. Apenas carroças e pessoas se arriscam a andar no meio de tanta sujeira.

“Eu tranco toda a minha casa. O cheiro que vem da rua é insuportável”, conta Augusto César. “Vem carroceiro, picapes novas, todo mundo vem aqui, joga lixo e vai embora”, afirma. O vendedor diz que desde o dia 21 de dezembro os carros coletores de lixo não passam no local.

No bairro Val-de-Cans, o Conjunto Paraíso dos Pássaros está tomado por lixo e entulho (Foto: Ney Marcondes/Diário do Pará)

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