Eram cerca de 1.500 manifestantes que exigiam a desapropriação da Fazenda Macaxeira e que decidiram marchar pela rodovia em direção a Belém. A PM recebeu ordem do então governador para que a via fosse desobstruída, ocorrendo em seguida o conflito. Para lembrar essa triste data, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promove, desde segunda-feira (15), a “Jornada de Lutas por Reforma Agrária Popular em Defesa da Amazônia, Massacre Nunca Mais!”.

Cerca de 250 membros da entidade estão acampados na Praça Floriano Peixoto, em frente ao Mercado de São Brás, em Belém. Simultaneamente, no município de Eldorado dos Carajás, sudeste paraense, cerca de 500 jovens camponeses também realizam atos na curva do S.

Porta-voz da coordenação do MST no Pará, Raimundo Nonato Filho explica que há 23 anos os trabalhadores rurais de todo o País realizam atos em memória das vítimas do massacre. Ele ressalta que o episódio foi reconhecido mundialmente como uma chacina e decretado por lei como Dia da Reforma Agrária no País. A jornada em Belém faz parte do movimento nacional em prol da luta pela reforma agrária.

“É também contra os massacres, contra as grilagens de terra, contra a impunidade no campo, pois foram muitos assassinatos e não foi possível ter um julgamento justo. Então faz parte da nossa jornada essas reivindicações”, afirma.

FEIRA

Quem passa por São Brás também tem a oportunidade de prestigiar a 5ª Feira da Reforma Agrária “Mamede Gomes” que, além de comercializar alimentos orgânicos, promove ainda debates sobre a produção de alimentos saudáveis, educação e cultura, sobre os direitos sociais, além da exibição de vídeos, exposição de fotografias e apresentações culturais.

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Cerca de 250 membros do MST estão acampados na Praça Floriano Peixoto, em Belém (Foto: Wagner Santana/Diário do Pará)

MST busca realizar rodada de negociações

Em Belém, os integrantes do MST pretendem realizar uma rodada de negociações com o Governo do Estado e com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), representando o Governo Federal.

“Com o Governo do Estado, a nossa reivindicação é que se comprometa a fazer a reforma agrária, utilizando instituições como o Iterpa para barrar a grilagem de terra e inibir o avanço do capital e dos monocultivos do agronegócio sobre os territórios camponeses”.

Ele diz ainda que o Estado deve atuar em outros pontos em favor dos camponeses. “Que também contribua na política agrícola que é função de diversos órgãos e com as demais políticas de importância para o campo, como educação, saúde e tudo que qualifica e dignifica a vida de um ser humano”, pondera.

INCRA

Com o Incra, o MST pede uma reunião para tratar sobre as denúncias de crimes cometidos contra os camponeses. “Queremos que a ouvidoria do Incra cumpra a sua função social”, diz. “Há sucateamento e tentativa de fechamento desse órgão por parte do Governo Federal, para que os camponeses não tenham acesso à terra”, reforça.

(Pryscila Soares/Diário do Pará)

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