O lema: “Defend Europe”, ou seja, defender a Europa da chegada de migrantes. O principal objetivo é bloquear a ação dos navios das Ongs que salvam vidas no mar mediterrâneo.facebook.com/pg/GenerationIdentitaire

Uma atuante ONG de extrema-direita europeu, o Génération Identitaire, tenta impedir a chegada de migrantes na Europa. Em uma nova ação, eles fretaram um navio que deve chegar nesta semana a Sicília, principal porta de entrada dos refugiados na Uniao Europeia. As autoridades italianas avisam que o barco não poderá aportar em Catânia.

A ONG Génération Identitaire arrecadou € 160 mil para financiar a nova operação. Ela alugou o navio C-Star, que antes era usado no combate à pirataria no Golfo de Áden, em Djibouti, um pequeno país do nordeste africano e estão navegando em direção a Sicília, no sul da Itália. Segundo fontes italianas, o barco não vai poder aportar em Catânia por motivos de ordem pública, mas isso não impediria a ação destes xenófobos no Mar Mediterrâneo. O principal objetivo é bloquear a ação dos navios de ONGs que salvam vidas no mar Mediterrâneo.

O C-Star deveria chegar ao porto siciliano nesta terça-feira (18), mas a data foi adiada. A chegada é esperada ainda nesta semana, mas a ONG mantém mistério sobre a nova data.

ONG criada na França

A Génération Identitaire foi criada em 2012 na França e, hoje, conta com afiliados em toda Europa, principalmente na Itália, Alemanha e Áustria. O lema da organização, em inglês, é : “Defend Europe”, ou seja, defender a Europa da chegada de migrantes.

Em seu site, o grupo fala claramente em “Declaração de guerra” e explica que é resultado de “uma geração da fratura étnica, da falência total de viver juntos e da miscigenação imposta”. Ele é composto na maioria por jovens brancos, com grande participação nas redes sociais e publicação de vários vídeos na internet feitos por profissionais.

Um desses vídeos mostra os treinamentos feitos em 2016 com exercícios físicos de boxe, corrida e artes marciais que lembram a propaganda nazista. Os exercícios serviram para a primeira operação da Génération Identitaire no ano passado que bloqueou a partida de um navio da Organização Não Governamental, SOS Méditerranée.

Mercenários e empresas de segurança privada

Por trás do grupo de extrema-direita existe um mundo complexo e perigoso cheio de mercenários e empresas de segurança privada, que atuam há cinco anos no Oceano Índico. De acordo com registros navais, o barco C-Star pertence ao estaleiro inglês, Maritime Global Service Limited, com sede em Cardiff, capital do País de Gales.

O proprietário atual – e único acionista – é o sueco Sven Tomas Egerstrom, 49 anos, que dirige uma rede de empresas especializada em segurança privada. Seu nome está ligado com o grupo britânico The Marshals Group, holding que reúne – de acordo com o site oficial – outras seis companhias, que atuam no mesmo setor.

O navio C-Star transporta mercenários, muitos deles ex-militares recrutados na Rússia e na Ucrânia, país devastado pela guerra civil. Por fazer parte de um grupo de segurança privada, que combatia a pirataria, ele provavelmente também transporta armas.

Aura de mistério

É difícil fazer uma estimativa do número de adeptos do Génération Identitaire. Embora faça muita propaganda, o grupo prefere manter a aura do mistério. Os locais das reuniões nunca são revelados publicamente e o endereço é enviado por e-mail somente aos inscritos.

A tendência da organização é crescer na Europa com a reação da extrema-direita à crise migratória no continente. No entanto, na Itália, por exemplo, é proibido fazer apologia ao fascismo, mas diversos movimentos extremistas ainda idolatram Benito Mussolini e fazem propaganda fascista sem que nada aconteça.

(RFI)

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