yucca 1353258 960 720 300x160 - Pará começa a investir na melhoria genética da mandioca
(Pixabay)

Maior produtor brasileiro de mandioca, com uma área plantada de aproximadamente 300 mil hectares, o Pará, no entanto, ainda registra baixa produtividade nas lavouras, com média de 15 a 16 toneladas por hectare, menos da metade da média nacional de 37 toneladas por hectare. Esse fator atrapalha o desenvolvimento de um polo de produção de fécula no Estado.

Para mudar esta realidade é preciso modernizar a produção, o que significa, entre outras coisas, melhorar a qualidade genética dos plantios, o que já vem sendo feito em território paraense, mais precisamente no município de Tracuateua, na região nordeste, que tem na zona bragantina a mais tradicional área de produção de farinha do Pará.

É em Tracuateua que o engenheiro agrônomo Benedito Dutra dedica-se, desde 2013, ao plantio de maniva-semente – como são chamadas as hastes utilizadas para plantio – de qualidade genética reconhecida.

Projeto Reniva – Agora, o maniveiro (produtor de maniva-semente) está investindo na qualidade fitossanitária, e aderiu ao projeto Reniva (Rede de multiplicação e transferência de manivas-semente de mandioca com qualidade genética e fitossanitária), desenvolvido pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), para atender a necessidade dos produtores nacionais interessados em plantar mudas com maior produtividade e resistentes a pragas e doenças. Com 70 hectares de área plantada, Benedito Dutra já produz 5 milhões de manivas-semente por ano, e é o maior maniveiro da rede Reniva no Brasil. Mas em breve ele deve perder o posto de único da rede no Pará.

Em Paragominas, também no nordeste paraense, a Prefeitura está apoiando produtores rurais a se tornarem maniveiros, e já busca a parceria do Reniva. Os primeiros contatos foram feitos em Belém, durante o XVII Congresso Brasileiro de Mandioca e II Congresso Latino-Americano e Caribenho de Mandioca, promovido pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), que começou na segunda-feira (12) e prossegue até sexta-feira (16).

“Nós não temos uma produção expressiva de mandioca em Paragominas, mas queremos virar esse jogo. Nosso projeto é dar apoio a um maniveiro para produção de maniva-semente, e desenvolver as lavouras no próprio município e nos municípios vizinhos, para criar condições favoráveis para a implantação de um polo de produção de fécula na região”, explica o secretário municipal adjunto de Agricultura de Paragominas, Diomar Farias. Segundo ele, a meta é anunciar adesão à rede Reniva no próximo dia 17 de maio, durante a Agroshow – Feira Agropecuária do município.

Mandioca Mais – O interesse crescente do setor privado encontra agora terreno fértil para crescer, com o lançamento do Programa de Incentivo à Cadeia Produtiva da Mandioca (Mandioca Mais), lançado pelo Governo do Pará durante o congresso. O programa envolve diversos órgãos de fomento e assistência técnica, com a meta de elevar a produtividade paraense em pelo menos 33%.

O “Mandioca Mais” foi elaborado em conjunto pelo poder público, instituições de fomento e pesquisa e produtores. O programa – que prevê o controle integrado de pragas, plantio direto, uso de variedades tolerantes à podridão, roça sem queima, calagem e adubação -, sistematiza ações já executadas, promovendo o encontro da prática no campo com o conhecimento científico.

Benedito Dutra diz apoiar o crescimento da rede e a implantação do programa. “A baixa produtividade do Pará, onde o cultivo da mandioca é quase todo feito em roça de toco, não gera negócio, gera apenas subsistência. Se a gente tiver um ganho de produtividade de apenas 20% nos 300 mil hectares plantados hoje no Pará, a gente consegue aumentar a produção em 900 mil toneladas, e só isso já representa uma injeção de mais R$ 500 milhões na cadeia produtiva da mandioca no Estado”, garante o agrônomo.

De olho na tendência de modernização do segmento, Benedito Dutra também já se prepara para expandir. No ano que vem ele espera triplicar a produção de maniva-semente, além de incorporar novos ganhos de qualidade. Com a adesão à rede Reniva, o maniveiro está começando a indexar suas cultivares. A indexação garante manivas-semente livres de contaminação pelas pragas e doenças mais comuns da mandioca.

Das 12 cultivares que produz, quatro já foram indexadas: as BRS Poti e BRS Mari, produzidas pela Embrapa, e duas cultivares caboclas, Bragantina e Jurará, nativas da região. “Minha meta é indexar todas, mas pretendo ir além. Estou trabalhando para possuir o maior banco da material genético do Brasil, trazendo cultivares de todos os estados do Nordeste e do Norte”, afirma.

Benedito Dutra está à frente de uma revolução no setor produtivo de mandioca que, em breve, pode transformar o Pará em exportador de material genético de qualidade, juntando o interesse dos produtores com as políticas de governo.

Por Simone Romero

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