A recessão econômica que assolou o País nos últimos anos atingiu em cheio a economia do Pará. Dados da pesquisa Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2016, no auge da crise, 12.811 empresas novas entraram no mercado formal do Estado, enquanto 13.748 foram fechadas – uma redução de 937. No ano anterior, o saldo foi positivo, com aumento de 1.753 empresas, decorrente de 14.101 entradas e 12.358 saídas. Na passagem desses dois períodos, o número total de empresas no Estado passou 70.551 para 69.660, em 2016, sendo 56.849 dessas empresas sobreviventes.

A taxa de saída paraense, ou seja a relação entre o número de empresas que fecharam e o total de empresas, foi de 19,7%, o maior valor da série histórica iniciada em 2008. Na comparação com os demais Estados, somente o Amazonas (20,5%) e o Amapá (20,4%) anotaram índices maiores. Para efeito de comparação, as menores taxas foram observadas nos Estados de Santa Catarina (11,8%) e Rio Grande do Sul (13,4%). Em todo o País, foi registrado saldo negativo pelo terceiro ano consecutivo, com decréscimo de 69.448 empresas em 2016 – 711.935 empresas novas e 781.383 fechadas. A taxa de saída nacional, que caiu entre 2014 e 2015, voltou a crescer em 2016, passando de 15,7% para 16,1%.

Ao todo, as 69.660 empresas ativas no Pará em 2016 ocupavam 601.413 pessoas assalariadas. De acordo com o IBGE, ao longo do ano foram registradas as entradas de 28.027 assalariados e a saída de 16.095, o correspondeu a um saldo de 11.932 novos trabalhadores. Em relação ao ano anterior, porém, o pessoal assalariado (649.007) encolheu 7,3%, o equivalente a 47.594 trabalhadores a menos. Em 2015, foram assinaladas 27,8% entradas a mais (38.846 trabalhadores) e 11,7% de saídas a menos (14.407). Ao fim daquele ano, o saldo de entradas e saídas foi de 24.439 (51,2% a mais).

Em todo o País havia 4,5 milhões de empresas ativas em 2016, que ocupavam 38,5 milhões de pessoas, sendo 32,0 milhões de assalariados e 6,5 milhões de sócios ou proprietários. Em relação ao ano anterior, no entanto, o pessoal assalariado encolheu 4,8%, o equivalente a 1,6 milhão de trabalhadores a menos, a segunda queda seguida.

Segundo o IBGE, o segmento de comércio e de reparação de veículos automotores e motocicletas foi o que mais registrou fechamento de empresas no Pará em 2016. Foram 7.736 estabelecimentos do ramo fechados, o que equivale a quase 56,3% do total de empresas fechadas no ano. Esse também foi o segmento nacional com o maior registro de saídas, 339.039 unidades, o que representa quase 43,4% do total. Esse segmento, também responde pelo maior número de saídas tanto no Estado (1.933) e no País (214.778).

Os salários e outras remunerações pagos pelas empresas paraenses em 2016 totalizaram R$ 4,65 bilhões. Este montante equivale a uma média mensal de dois salários mínimos (R$ 1.908). Segundo a pesquisa, não houve variação da média salarial em 2015 na comparação com o ano anterior.

A pesquisa trouxe também os dados de Belém, que respondeu em 2016 por 26% das empresas existentes no Estado: 18.128. Naquele ano o saldo da capital paraense também foi negativo, com redução de 286 unidades locais – 2.959 entradas e 3.245 saídas. No total, as empresas do município contavam com 217.444 pessoas ocupadas assalariadas, com 9.102 trabalhadores inseridos no mercado formal e 5.828 pessoas excluídas – saldo de 3.274. O comércio varejista respondeu por 46,7% das saídas das empresas e por 27,5% das pessoas ocupadas.

O Liberal

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