cupula mendonza 300x169 - Sintonia política à direita marca cúpula do Mercosul na ArgentinaA cidade de Mendoza, no oeste da Argentina, sedia a cúpula de Chefes de Estado do Mercosul até 21 de julho.prensa.mendoza.gov.ar

Agora sem a Venezuela como membro ativo, a reunião de cúpula do Mercosul que começa nesta quinta-feira (20) na cidade de Mendoza, no oeste da Argentina, é a primeira que o bloco consegue realizar depois de um ano e meio de desavenças entre integrantes. A guinada à direita do bloco nos últimos 18 meses deixou o Mercosul em sintonia política para avançar contra a Venezuela de Nicolás Maduro e a favor de um acordo comercial histórico com a União Europeia, dois dos objetivos que o Brasil pretende liderar ao assumir a presidência do bloco pelos próximos seis meses.

Márcio Resende, enviado especial a Mendoza

A reunião de Cúpula em Mendoza é um dos melhores exemplos do giro de 180 graus que a América do Sul deu nos últimos cinco anos. A última que aconteceu nesta cidade do oeste da Argentina foi em 2012. Aquela reunião ficou marcada pela decisão de suspender o Paraguai do bloco depois que os presidentes concluíram que tinha havido uma ruptura da ordem democrática no país com a destituição do ex-presidente paraguaio Fernando Lugo. A suspensão do Paraguai, único país então contrário à entrada da Venezuela, abriu as portas para a Venezuela de Hugo Chávez no bloco.

Cinco anos depois é o contrário: o Paraguai está no bloco e quem está suspensa é a Venezuela, justamente sob a acusação de ruptura da ordem democrática, além de não cumprir com os compromissos comerciais do Mercosul.

Em 2012, Michel Temer era apenas vice-presidente. E, assim como o paraguaio Fernando Lugo, quem acabou sendo também destituída foi a então presidente Dilma Rousseff. Já o presidente do Peru, membro associado do Mercosul, era Ollanta Humala, hoje preso por suposto envolvimento com a corrupção da Odebrecht.

O Uruguai tinha vindo a Mendoza em 2012 com a ideia de criar um mercado oficial e regulado para a maconha. Justamente agora, a maconha passou a ser vendida nas farmácias uruguaias como última fase daquela ideia de cinco anos atrás.

Se aquele Mercosul era de governos à esquerda, este é com sintonia à direita.

promoção cartão de visita 1 1 300x273 2 300x273 300x273 1 300x273 1 300x273 - Sintonia política à direita marca cúpula do Mercosul na ArgentinaObjetivos diferentes 

O Mercosul de 2012 tinha um alinhamento ideológico automático no confinamento do bloco como elemento de auto-proteção e fazia vista grossa para barreiras ao comércio aplicadas pelos seus membros, um contra o outro, cada vez mais. Já o Mercosul à direita exalta a competitividade do livre comércio como ponto de fortalecimento e procura eliminar as barreiras comerciais dos últimos anos.

Contra o confinamento, o Mercosul de agora aposta na agenda externa de negociações com outros países e blocos. A negociação mais visível é com a União Europeia. O Brasil assume a presidência do bloco e pretende fechar, até dezembro, o capítulo político do acordo com a União Europeia.

Agenda 

As reuniões desta quinta-feira serão entre os ministros dos bloco. O Brasil participa com o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcos Pereira, com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e com o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes. O presidente Michel Temer chega no final da noite e lidera a reunião de cúpula na sexta-feira (21), traçando aqueles que devem ser os desafios do bloco pelos próximos seis meses.

Um desses desafios é fazer o dever de casa. O Mercosul sabe que, para avançar num acordo com a União Europeia, precisa enfrentar os seus próprios obstáculos comerciais internos. Das 78 restrições comerciais que existiam até seis meses atrás, há agora 44, mas ainda são muitos obstáculos para um Mercosul que foi pensado para o livre comércio.

Venezuela em pauta

A Venezuela está suspensa do Mercosul, mas a crise no país é a questão prioritária nas discussões políticas dos líderes sul-americanos. O governo brasileiro já anunciou que o assunto estará na agenda. E o Brasil quer, ao longo dos próximos meses, liderar a pressão regional contra o regime de Nicolás Maduro.

(RFI)

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