Diário do Pará

    

Artigo Destaque 00529810 00 - Tradição - Nem a proibição diminui a venda de pipas em julho
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Basta chegar o mês de julho para que o céu de Belém, ganhe o colorido das pipas, rabiolas e papagaios. Isso mesmo com a Lei Municipal nº 9.440, que proíbe o uso de pipas por menores de 18 anos. E a venda desses artigos resiste a mudança dos tempos e se mantém em muitos pontos da cidade.

Um desses vendedores é o seu Reginaldo Mourão, mais conhecido como “Cobra”, que há mais de 58 anos trabalha vendendo papagaios, pipas e rabiolas, no centro de Belém, no bairro do Reduto. “Na verdade, vendo o ano inteiro, mas durante o verão, de julho a setembro, as vendas são bem melhores, mas não como antigamente”, diz. A lei, que também proíbe o uso do cerol, mudou o perfil de seus clientes. “Antes algumas crianças vinham comprar, agora só vendemos para adultos”, conta.

No cômodo usado para a comercialização dos produtos, os modelos estão separados por tamanho, preço e tipo. “Aqui fabrico tanto as pipas, quanto as cangulas, rabiolas e papagaios”, diz ele, explicando que os preços variam entre R$ 3 e R$ 6. O modelo mais consumido é a rabiola. “Porque é mais fácil de fazer e mais fácil de subir”, acrescenta.

O processo de criação ainda é o mesmo aprendido com os pais, que trabalhavam vendendo esses artigos. “Eu aprendi com eles ainda criança, porque aqui pelo centro era muito comum as pessoas empinarem pipas nas ruas de bairros como Reduto, Comércio, Batista Campos e outros”, lembra.

A fabricação, segundo ele, é feita por etapas. “Primeiro raspamos todas as talas, depois é feita a armação, em seguida é cortado o papel de seda e a última etapa é a montagem. No caso da pipa, ao invés do papel, usamos o plástico”, explica, lembrando ainda que os formatos se diferem uns dos outros.

INTERNACIONAL

Tamanha dedicação já levou o artesão a ter seu trabalho reconhecido por muitas pessoas e em muitos lugares. “Já fiz pipas para governadores e até presidente da República. Também já vendi para países como a Grécia, Japão e Estados Unidos”, conta. O artesão lembra que já teve oportunidade de levar seu trabalho para outros lugares. “Durante a década de oitenta, fui convidado para morar durante seis meses na cidade de Lyon, na França, para ensinar essa arte para as pessoas de lá. Mas na época, preferi ficar por aqui mesmo”, recorda.

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