Consulado admite que 72 indígenas já chegaram à cidade nos últimos meses

dec44f9f 5481 45e7 ba1d 568f82ab7fd1 300x199 - Venezuelanos ocupam as ruas de Belém
Arquivo ORM

Já chega a 72, incluindo 22 crianças, o número de indígenas venezuelanos da etnia Warao que se mudaram para Belém nos últimos meses. Os dados, confirmados pelo Consulado da Venezuela, são da Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), que em agosto deste ano acolheu 15 deles, por solicitação própria, na Casa de Passagem Domingos Zahluth.

Apenas nove permanecem acolhidos, no entanto, em virtude da situação de vulnerabilidade social a que estão submetidos, uma vez que os demais decidiram retornar a seu país em razão da dificuldade de adaptação que enfrentaram, segundo explicou ontem a secretária Ana Cunha. Segundo ela, a migração dos venezuelanos para o Brasil começou em 2014, através dos estados de Roraima e do Amazonas.

Na Prefeitura de Belém, a informação é de que está sendo feito o acompanhamento de saúde de cada índio desde o final de setembro, por meio da equipe do Consultório na Rua, da Secretaria Municipal de Saúde, que atua no Ver-O-Peso, área de maior concentração dos refugiados. Mas embora a assessoria de comunicação da prefeitura garanta que as famílias foram  levadas para a sede do Propaz Mangueirão, muitos indígenas estão ocupando logradouros da cidade e vivendo em condições de insalubridade e insegurança.

São crianças, jovens e adultos que acabam dividindo o espaço público com moradores de rua, o que já despertou o interesse da imprensa nacional. No Ver-O-Peso, eles dividem o espaço das calçadas e a sombra das árvores, provocando inclusive a insatisfação dos moradores de rua. “Acho errado quererem ajudar só eles. Nós também não temos onde morar e como fica?”, reclamou, ontem pela manhã, um dos homens em situação de rua – que disse estar nestas condições desde que, ainda criança, perdeu os pais.

Sem se identificar, ele assinalou que a disputa pelo espaço das ruas começou com uma família. “Agora tem várias. Eles chegam e vão ficando ai”, disse o rapaz, pontuando que assim como os índios eles também precisam de ajuda. Ele lembrou, também, que já faz um tempo que os venezuelanos começaram a chegar e que cada vez mais integrantes da tribo aparecem.

Quanto aos indígenas, sua dificuldade de comunicação é acentuada pela reduzida disposição para a aproximação e o diálogo. Ontem, apenas um deles – que fala espanhol – se dispôs a dizer alguma coisa à equipe de reportagem de O LIBERAL. Na breve conversa que travou, ele admitiu ter deixado a Venezuela, junto com a família, em decorrência da situação caótica de crise vivida por aquele país. “Não dá para ficar lá e outros já estão chegando”, limitou-se a comentar.

Abrigado na área de estacionamento do Ver-O-Peso, o grupo tem vivido embaixo de uma árvore, junto às trouxas de utensílios e roupas. Frequentadores do local disseram que a praça está abandonada e suja em decorrência da situação de descaso. Eles apontam que tanto os indígenas quanto os moradores de rua usam o espaço para fazer comida e necessidades fisiológicas.

Segundo a prefeitura, depois de uma primeira consulta e de um levantamento dos principais problemas de saúde, prestados aos venezuelanos, a Sesma disponibilizou médico, assistente social, enfermeira, agentes comunitários de saúde e psicólogos para fazer um diagnóstico detalhado de cada um, incluindo as vacinas necessárias, exames e possíveis riscos de doenças a fim de evitar maiores problemas de saúde pública. Ainda segundo a prefeitura, a Fundação Papa João XXIII e a Secretaria Municipal de Educação disponibilizaram quatro educadores sociais para desenvolverem atividades socioeducativas com as crianças, incluindo brincadeiras populares, jogos, pintura, vídeo infantojuvenil, desenho e contação de histórias.

(ORM)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here